e-revista Brasil Energia 508

48 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 óleo e gás nidades para ampliar a oferta interna de energia e fortalecer a base produtiva regional e nacional. O projeto inaugura uma nova fronteira de produção e amplia a presença da Petrobras para além de suas principais áreas produtivas no Sudeste, segundo o pesquisador. Para a estatal, representa a diversificação do portfólio de exploração e produção, a renovação da base de reservas e o fortalecimento da capacidade produtiva no longo prazo. Em Sergipe e no Nordeste, o projeto também representa a retomada dos investimentos e da produção de petróleo e gás pela Petrobras, após um amplo processo de privatização de ativos produtivos, sobretudo terrestres, e em meio ao processo de descomissionamento de plataformas nos campos de águas rasas da região. “A principal contribuição potencial do SEAP para o Nordeste está na ampliação da oferta de gás natural em escala. Além de reforçar a segurança energética, essa disponibilidade pode favorecer a expansão de atividades industriais intensivas em energia, como os setores químico, de fertilizantes, cerâmico e siderúrgico. Esse resultado, entretanto, não decorre automaticamente do aumento da produção”, afirmou Ferreira. O sucesso do projeto, de acordo com o especialista, depende da instalação da infraestrutura de escoamento, de preços competitivos e de políticas industriais capazes de articular a exploração dos recursos naturais ao fortalecimento das cadeias produtivas regionais e nacionais, à geração de empregos e à ampliação da renda. O desafio é fazer com que a riqueza energética se traduza em desenvolvimento econômico e industrial, em vez de se limitar à expansão da produção de petróleo e gás. SEAP é uma promessa para o Nordeste, na verdade, desde 2012, quando foi descoberto petróleo nos blocos que deram origem à reserva. A área surgiu da junção de quatro blocos - BM-SEAL-4 (sociedade da Petrobras com a ONGC), BM-SEAL- 4A, BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11 (sociedade da Petrobras com a IBV Brasil Petróleo) - adquiridos na segunda rodada de licitações, no ano 2000. O projeto já entrou no plano de negócios da Petrobras por diversas vezes e também saiu por outras tantas, devido a diferentes motivos. As sucessivas postergações de investimento estiveram associadas desde às oscilações da cotação internacional do petróleo até decisões relacionadas à governança e às prioridades de investimento da empresa. Em dezembro de 2025, a Petrobras tomou a decisão final de investimento em SEAP I e em abril deste ano, em SEAP II. Além de contratar as plataformas, a empresa precisa ir a campo comprar sistemas submarinos, árvores de natal molhadas, risers e o gasoduto de escoamento. Mas o processo está em compasso de espera por causa do Gas Release. A rede de transporte, um investimento projetado em US$ 1 bilhão, está em compasso de espera. A expectativa é de que nada saia do papel até a Petrobras ter uma visão mais clara sobre a nova política para o mercado de gás.

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