e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 51 sição energética e se traduz no mais importante insumo no âmbito da Política Nacional de Transição Energética (PNTE), instituída pela Resolução CNPE nº 5, de 26 de agosto de 2024. Segundo o plano, a participação das fontes renováveis na matriz energética passa de 50,2% em 2026 para 51,2% em 2036. É importante lembrar que o objetivo principal do PDE 2036, como de costume, é indicar, e não propriamente determinar, as necessidades e perspectivas de expansão do setor de energia no horizonte de 10 anos. Mesmo assim, trata-se de uma referência fundamental, que orienta diversas outras políticas públicas, por vezes determinativas, e uma fonte preciosa para análises de investimentos por instituições financeiras. A importância da atualização de um PDE derivou basicamente da grande crise de energia que vivemos em 2001, originada pela total ausência de planejamento centralizado do setor energético nacional. A crise também motivou a criação da EPE como responsável pela elaboração de estudos rotineiros para subsidiar o MME, ANP, Aneel e o CNPE na definição das trilhas energéticas que o Brasil deve adotar. Consequentemente, após sua validação, orientam o conjunto de leilões, concessões e novas autorizações nas diversas áreas de energia. Nesta edição, o plano estima R$ 3,3 trilhões em investimentos entre 2027 e 2036 para a expansão e a modernização da oferta e da infraestrutura energética, dos quais cerca de R$ 2,4 trilhões em exploração e produção de petróleo e gás, majoritariamente através da Petrobras. A dimensão estratégica do PDE 2036 incorpora o melhor aproveitamento dos recursos energéticos nacionais dentro das dimensões da nova conjuntura ambiental e busca proporcionar acesso a toda a população brasileira, de forma justa, aos aspectos de energia, principalmente diante da pobreza energética ainda existente no país. Para a elaboração do PDE, foi utilizado como premissa um crescimento médio anual do PIB de 2,5% no próximo decênio, com taxas adequadas àquelas esperadas de crescimento de diversos macros setores como: agropecuária (3,2 %), indústria (2,5%) e serviços (2,7%). Nesse contexto, a Oferta Interna de Energia (OIE) alcançaria 416,6 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) em 2036, o que corresponde a uma expansão de 24% no período decenal e crescimento projetado anual do OIE de 2,2%. Essa redução de 0,3% em relação ao PIB decorre da premissa vigente da intensidade energética da economia brasileira de crescimento da demanda em relação ao PIB. Em especial para o setor elétrico, cujo cenário de referência baliza grande parte dos leilões não só de energia térmica como de linhas de transmissão, a projeção é que a carga global de energia do SIN cresça à taxa média de 3,3% ao ano entre 2026 e 2036, passando de 85.070 para 118.260 MWm, expansão de cerca de 39% em dez anos. Importantes adições no decênio foram apontadas, como 4600 MW em hidrelétricas, 4674 MW em PCHs, 21.118 MW em UTE’s não renováveis, 14.236 MW em eólicas, 9.487 MW em fotovoltaica, sem falar 1.406 MW de nuclear, basicamente na expectativa da operação de Angra 3, com execução física avançada, porém, com obras paralisadas. Nesse cenário, a capacidade instalada total de geração elétrica deverá passar de 272 GW em 2026 para 382 GW em 2036, um acréscimo de 110 GW. Ao final do horizonte, serão 317,8 GW de fontes renováveis e 47,4 GW de termelétricas fósseis — algo da ordem de 12% do total. No recorte do SIN, que não considera a autoprodução, as renováveis responderão por 87% da capacidade instalada. Na matriz elétrica, a participação de renováveis permanece próxima de 90% e as fontes solar e eólica passam a responder, jun- “O plano estima R$ 3,3 trilhões em investimentos entre 2027 e 2036 para a expansão e a modernização da oferta e da infraestrutura energética”

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