continuação do artigo Consulta Pública do PDE 2036: um chamado à colaboração tas, por 32,9% da geração em 2036, ante 28,1% em 2026. O destaque é para a micro e minigeração distribuída, cuja capacidade instalada deverá passar de cerca de 50 GW em 2026 para 92 GW em 2036, e para as novas tecnologias de armazenamento: 7,2 GW em baterias e, pela primeira vez na expansão indicativa, 2,0 GW em usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs), além de 4,0 GW de resposta da demanda. O consumo total de eletricidade deverá crescer 3,4% ao ano, de 702 TWh para 979 TWh, e a geração elétrica deverá chegar a 1.133 TWh em 2036, ante 829 TWh em 2026. Os ganhos projetados de eficiência energética representam 53 TWh evitados ao longo do horizonte. Esse crescimento, certamente, em função de novas dinâmicas econômicas, pode ser adequado nas futuras atualizações anuais do PDE e trabalha também com muito alinhamento em outros programas importantes do governo, como o chamado Gás para Empregar e a Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio). No segmento do petróleo, o destaque é a expectativa de que a produção atinja seu pico após o fim de 2028 - o que acredito que ocorra ainda mais tarde - e a partir daí entre em declínio, a menos que sejam desenvolvidas novas fronteiras. Na área do transporte do gás, as projeções continuam muito animadoras, apesar da tímida expansão da malha. A recente entrada do gasoduto Rota 3 e da produção do Campo de Raia e, futuramente, das plataformas SEAP 1 e SEAP 2, na bacia Sergipe-Alagoas, vão impulsionar bastante a oferta de gás nacional. O estudo indica que a oferta líquida nacional passará de 73 milhões para 135 milhões de m3/dia, o que, na minha opinião, considero uma projeção demasiadamente otimista. No capítulo relativo à oferta de biocombustíveis, a previsão é de expansão da produção de etanol de 41,3 bilhões para 52,7 bilhões de litros nos próximos dez anos, para atender a demanda interna e exportação, além de outras aplicações. O SAF para a aviação, com produção indicativa de 3,6 bilhões de litros em 2036, ainda depende de legislação que garanta um mandato firme de demanda. A produção de biodiesel deverá passar de 10,6 bilhões para 14,8 bilhões de litros no mesmo período e ganham espaço também o diesel verde (0,85 bilhão de litros) e o biometano (8,5 milhões de Nm3/dia). Além disso, o plano apresenta um conjunto de possibilidades de inovação e perspectivas para novos combustíveis emergentes, como as rotas de produção de hidrogênio e de combustíveis sintéticos. Dentre outras novidades desse PDE, está a previsão do abrupto crescimento de carga para data centers, que deverá passar de 3TWh em 2026 para 30 TWh em 2036. Como relatado anteriormente, surge no estudo a energia geotérmica, cuja capacidade instalada mundial supera 17 GW, com previsões do Department of Energy (DOE) dos EUA de atingir 90 GW até 2050 no próprio país. Otimistas ou não, o fato é que esse é um exemplo de tecnologia que já mostra maturidade no planeta e que deveria ter seu potencial analisado no planejamento energético de um país da dimensão do Brasil. Concluindo, o trabalho realizado pelas equipes do MME e da EPE é de excelente nível e, portanto, uma leitura fundamental para todos os que buscam compreender a dinâmica energética nacional, investidores ou não. Mas continuo vendo como obrigação de todos os players contribuir com suas visões convergentes ou divergentes no PDE sob Consulta Pública. “Continuo vendo como obrigação de todos os players contribuir com suas visões convergentes ou divergentes no PDE 2036 sob Consulta Pública.” 52 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026
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