e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 57 No final de 2025 o Sisol da EPE registrava no Brasil 160 sistemas isolados de geração e consumo de energia elétrica, sendo apenas um, de Fernando de Noronha, fora da Amazônia. Eles abastecem 1,9 milhão de consumidores e 70% da geração necessária vem da fonte termelétrica a óleo diesel. Os esforços do planejamento têm como foco central a interligação ao SIN, como ocorreu em setembro do ano passado com Boa Vista, última capital de estado que faltava ser incorporada ao Sistema Interligado. Mas os estudos da EPE já demonstraram que essa possibilidade tem limites econômicos, físicos, dadas as condições naturais hostis em muitos casos, e ambientais. Paralelamente às alternativas tecnológicas já disponíveis, como a geração térmica a gás ou os sistemas híbridos combinando geração solar com baterias e back up a diesel, como se viu no último leilão de sistemas isolados (setembro/2025), a EPE busca alternativas futuras que possam descarbonizar esses sistemas com segurança energética e economicidade. Uma dessas alternativas estudadas pela estatal de pesquisa é a geração termonuclear por meio de Pequenos Reatores Modulares (SMR, do inglês Small Modular Reactor), com capacidade entre 20MW e 300MW ou por microrreatores nucleares (de 1MW a 20MW). A NBEPar - Núcleo Brasil Energia Participações planeja operar o primeiro microrreator nuclear brasileiro em 2033, projeto que hoje é desenvolvido em associação com a Finep, Amazul (Marinha Brasileira), instituições tecnológicas e universidades federais. Além do projeto do microrreator, a NBEPar avança em outras direções, segundo o almirante Ney Zanella, presidente da empresa do grupo Diamante, dona, entre outros empreendimentos, do Complexo Jorge Lacerda de geração térmica a carvão. A NBEPar tem parceria com a gigante russa Rosatom, proprietária da usina nuclear flutuante de cogeração Akademik Lomonosov, primeira planta da modalidade a entrar em operação no mundo. A UTE fornece eletricidade e calor à cidade russa de Pevek, na região de Chukotka, nordeste da Sibéria. Em recente evento realizado em Londres, o vice-diretor do Centro Regional da Rosatom na América Latina, Ruan Nunes de Souza, disse que a empresa já avaliou a possibilidade de instalação de uma usina nuclear flutuante na Amazônia. A parceria da NBEPar com a Rosatom, por meio de sua subsidiária Uranium One Group, se chama Nadina Minerals e, segundo o almirante Zanella, tem como foco a prospecção geológica em áreas disponíveis na Agência Nacional de Mineração (ANM). Mas, por vias transversais, os caminhos das duas empresas podem se cruzar no abastecimento com energia nuclear dos rincões da Amazônia, uma com microrreatores e a outra com SMRs. Segundo comunicado da Rosatom enviado a Brasil Energia, sobre suas possibilidades de cooperação com o Brasil no campo da geração nuclear, uma dessas possibilidades está no abastecimento de áreas isoladas da Amazônia

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