82 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Retomada da atratividade dos investimentos em O&G Como para os bancos importa manter o papel em carteira por longos períodos de tempo, as oscilações importam somente para agentes que atuam no mercado secundário, não impactando a decisão de bancos de ofertar capital Nos últimos meses os mercados financeiros globais vem desdobrando sua atenção aos eventos que tem afetado os mercados de óleo e gás. Afinal, os fenômenos e eventos ocorridos nessa indústria sempre geravam as principais fontes de variação de inflação, dólar global e juros dos bancos centrais. Passado o impacto inicial, na medida em que os agentes econômicos incorporaram os choques nas expectativas, o próprio setor experimenta agora uma nova janela de oportunidade a ser explorada. Neste final de 2026, a sensação entre os investidores é a de que há maior atração de investimentos para a indústria, sinalizando uma possível normalização dos ciclos de negócios. O contexto é de maior liquidez global, com aumento da oferta de crédito e capital dos bancos em busca de estabilidade, com maiores retornos esperados a longo prazo e redução do risco no setor. Pode-se argumentar que há duas causas na raiz dessa mudança de quadro. Uma causa estrutural e uma causa conjuntural. No aspecto estrutural, parece haver a consolidação do processo de “seleção natural” dos investidores no mercado. Durante a última década, notadamente do fim do último grande boom de petróleo até os choques da pandemia e das guerras na Ucrânia e no Irã, o setor experimentou um afastamento de investidores que, do pós crise de 2008 até o boom da virada da década de 2000/2010, entraram buscando retornos especulativos e de curto prazo. Essa não é uma característica do mercado de óleo e gás, marcado por longos períodos de maturação do investimento e riscos elevados. O resultado disto foi alguma distorção no mercado que recentemente verificou até posições em busca de hedge (proteção a algum evento adverso), o que definitivamente não é a natureza dos negócios em óleo e gás. Conforme essa distorção foi sendo corrigida e esse investidor afastado, o perfil médio voltou a ser predominantemente o do agente em busca de retornos de longo prazo sujeitos a riscos elevados. Esse fenômeno foi bastante forte em economias exportadoras, notadamente o Brasil. Com o investidor típico permanecendo, aumentam as condições de quantificar risco, retorno e a rentabilidade do negócio. Aumenta também a capacidade do preço em refletir a real dinâmica do mercado. Já no aspecto conjuntural um fenômeno pode explicar a volta da atratividade do investimento em petróleo. Do começo de 2026 até o final do terceiro trimestre, tanto os preços dos barris físicos de petróleo quanto os contratos futuros apresentavam forte instabilidade e volatilidade. A incerteza trazia duras entraves à boa formação de expectativas. No entanto, a percepção mudou e o mercado entendeu que os prêmios de risco não se sustentariam por longos períodos de tempo, já que: 1. haveria menor tomada de risco e 2. os juros dos bancos centrais se tornaram mais previsíveis justamente como efeito da alta incerteza.
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