Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018

Brasil Energia , nº 451, junho 2018 23 Política de preços em xeque O reflexo disso foi a queda da Pe- trobras no mercado financeiro. Com mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado perdidos em oito dias e a credibilidade da política de preços em xeque – outro ponto da pauta dos caminhoneiros era o fim da po- lítica atual – a estatal tem sinalizado que não vai mudar a metodologia – pelo menos até o fechamento desta edição. Inicialmente, a Petrobras havia congelado os preços por 15 dias, “sem pressão”, até a solução do im- passe. O acordo reduziu o preço do produto nas bombas, mas o cenário internacional continua instável. Até então considerada como solução pa- ra a Petrobras, a política de preços passou a ser “demonizada” na im- prensa e Pedro Parente, questionado à frente da estatal. “A frequência diária dos reajus- tes é fundamental porque ela nos dá a chance de poder lidar melhor com nossa participação do mercado”, de- fendeu Parente em vídeo veiculado na intranet da estatal, para funcioná- rios. Considerando que o país está em ano eleitoral e que uma pauta como essa mobiliza os políticos para toma- da de decisões que não privilegiam aspectos técnicos, a tendência é que a política de reajustes diários venha a ser abandonada. Pesquisa divulgada pelo Datafo- lha apontou que 87% dos entrevista- dos apoiavam a greve dos caminho- neiros. O mesmo percentual era de pessoas que diziam não querer pagar a conta, segundo a pesquisa. Há quem veja a necessidade de uma nova política, como o ex-pre- sidente da EPE, Mauricio Tolmas- quim. No Twitter, ele afirmou que o repasse diário das variações interna- cionais causa volatilidade e falta de previsibilidade. “Alterar o preço a partir da média trimestral ou de média móvel miti- garia estes problemas”, disse Tolmas- quim. No vídeo, Parente afirma que os reajustes mensais fazem com que a empresa corra o risco de ficar ex- posto a uma perda de participação no mercado, o que segundo ele, “foi ruim para a empresa” nos últimos meses de 2017. Outros defendem mudanças na política de refino, setor em que a Pe- trobras possui quase 100% do par- que nacional e outros, mudanças na matriz de transportes, que inclui no- vos combustíveis. Como ressaltado, atualmente o óleo diesel é subsidiado, mesmo com a alta recente de preços. Carros de passeio não podem utilizar do pro- duto, que é destinado para transpor- te de carga e passageiros. No entanto, já existem iniciati- vas como o uso do gás natural vei- cular (GNV), biometano, motores elétricos, etanol e mesmo células de hidrogênio em caminhões, além de uma maior malha ferroviária. “Não podemos continuar a fingir que não temos um problema de in- fraestrutura num país de dimensões continentais, onde é inviável proces- sar petróleo bruto em refinarias todas localizadas na costa atlântica e trans- portar os derivados, gasolina, diesel, GLP por 2 ou 3 mil quilômetros, pa- ra serem queimados assim que che- gam aos postos de distribuição, no interior”, disse Cícero Bley, presiden- te emérito da Abiogás. Diversos países estão estabelecen- do políticas de banimento de com- bustíveis fósseis, muitos deles a par- tir de 2030, o que vem motivando o uso de biocombustíveis e propulso- res elétricos. “É possível verificar que em poucos anos teremos um mundo completamente diferente para o sis- tema motor de veículos, rodando pe- las ruas e estradas que transitamos”, disse Armando Cavanha Filho em seu “Café com Cavanha”. O fato é que a greve despertou uma nova temporada de debates, análises e estudos sobre qual deve ser o futuro do óleo diesel na matriz energética brasileira. Esse é um cami- nho que nem o melhor dos GPS con- segue apontar. n Térmica Jorge Lacerda: estoque de hidrogênio baixo quase compromete operações Plínio Bordin

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