Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
22 Brasil Energia , nº 451, junho 2018 Combustíveis Outro fator é o câmbio, que ru- mou em trajetória de alta em maio, devido a fatores externos – cerca de um quarto do óleo diesel consumido no país é importado. A greve paralisou serviços como o de transportes e criou risco de abas- tecimento em termelétricas movidas a óleo diesel no Nordeste e no Nor- te do país. A Engie enfrentou proble- mas na montagem dos parques eó- licos Campo Largo e Umburanas, na Bahia, porque os guindastes não possuíam mais combustível. A em- presa também teve problemas com o hidrogênio necessário para o res- friamento dos geradores do comple- xo termelétrico Jorge Lacerda, a pon- to de buscar escolta policial para o transporte do insumo. No Rio de Janeiro, por exemplo, dois dias após o anúncio das medi- das do governo para encerrar a greve, na terça-feira (29/6), a frota em cir- culação se encontrava com 60% da oferta. No mesmo dia, a Abras, asso- ciação dos supermercados, afirmou que os estoques de produtos não- -perecíveis dos estabelecimentos es- tavam pela metade e que levaria en- tre cinco e 10 dias para normalizar o abastecimento, a partir do fim do movimento. Fábricas de automóveis encerra- ram turnos de trabalho e suspende- ram a produção, assim como em ou- tros segmentos industriais. A Ecom Energia projetou queda de 10% na demanda durante a crise – abrindo espaço para que clientes livres pos- sam negociar sobras contratuais de energia no momento em que o PLD encontra-se mais elevado. Aeroportos suspenderam voos, por causa da falta de querosene de aviação. Um dos poucos, o do Galeão - Tom Jobim, tem um duto que o li- ga até à Reduc, refinaria localizada no município vizinho de Duque de Ca- xias. Usinas produtoras de etanol de São Paulo paralisaram as operações por falta de diesel para o funciona- mento de máquinas e equipamentos. “O cenário é preocupante porque além de aumentar os custos de pro- dução, reduz o faturamento das uni- dades produtoras em aproximada- mente R$ 180 milhões por dia, o que pode comprometer a sobrevivência de muitas dessas empresas, que já es- tão com nível de endividamento ele- vado diante da crise vivenciada pe- lo setor sucroenergético nos últimos anos”, disse a Unica em comunicado. A distribuição de GLP foi fortemen- te afetada, segundo o Sindigás, que relatou retenção de caminhões com botijões cheios ou vazios. Impostos O caos nas cidades e estradas re- percutiu no mercado. O presidente Michel Temer anunciou a redução do diesel na noite do domingo (27/6), com detalhamento no dia seguin- te. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, chegou a sinalizar aumento de impostos para compensar o alívio fiscal sobre o combustível, mas de- pois esclareceu que esse subsídio se- rá em favor dos caminhoneiros, para reduzir o preço nas bombas, e não às refinarias de petróleo. “O subsídio é para quem consome, não para quem está produzindo”, ressaltou. Esse recuo não foi automático ou um ato falho, mas sim resultado da má repercussão. “Ao invés de querer aumentar ainda mais a já pesada car- ga tributária que pesa sobre o setor produtivo e a sociedade brasileira em geral, o Governo deveria trabalhar para reduzir a burocracia e as despe- sas cada vez maiores do estado bra- sileiro”, criticou a Confederação Na- cional da Indústria (CNI), em nota. O programa custará R$ 9,5 bi- lhões ao governo. Desses, R$ 5,7 bi- lhões serão de excedentes do resul- tado fiscal e R$ 3,8 bilhões serão de cortes orçamentários. De acordo com o ministro, setores que têm um per- centual mínimo de gasto no orça- mento, como saúde e educação, se- rão protegidos dos cortes. No entanto, programas sociais ti- veram redução orçamentária. Na sequencia, o Conselho Admi- nistrativo de Defesa Econômica (Ca- de) apresentou proposta para aumen- tar a concorrência no setor de com- bustíveis e reduzir os preços ao con- sumidor, parte de um estudo desen- volvido antes da crise. Entre as suges- tões estão a permissão para produto- res de etanol vender diretamente aos postos, a revisão da proibição da ver- ticalização do setor de varejo e a revo- gação da proibição de importação de combustíveis pelas distribuidoras. Na contramão, o Rio de Janei- ro correu para reduzir a alíquo- ta do ICMS de 16% para 12%, alí- quota estabelecida em estados como São Paulo e Espírito Santo. Mesmo com todas as concessões, o proble- ma continua. Tolmasquim: média trimestral ou móvel mitigaria variação internacional Marcus Almeida - Somafoto - Arquivo Brasil Energia
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