BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 11 O novo diretor de Governança e Conformi- dade da Petrobras, Rafael Mendes Gomes, promete mexer com o cenário dos últimos anos. Menos de dois meses após sua pos- se, o advogado, que fez carreira na iniciativa privada, vem fazendo reuniões periódicas com algumas das em- presas bloqueadas, assegurou a celebração de um termo de compromisso com a Odebrecht e já reconhece a ne- cessidade de ajuste em alguns dos processos internos. Dono de uma fala serena, que acompanha uma ótima capacidade de interlocução, um curriculum de peso e muita educação, o mais novo executivo da petroleira fa- lou à Brasil Energia Petróleo . Que radiografia o sr. fazia da área de Compliance da Petrobras antes da sua posse e qual a avaliação hoje? É sempre mais difícil enxergar de fora mudanças nos procedimentos voltados para a prevenção [à corrupção]. O que víamos mais era o DDI ( Due Diligence de Integri- dade), bloqueio cautelar, programa de prevenção à cor- rupção, guia de conduta e o código de ética. Quando en- trei, pude perceber a grande competência da equipe. Em que estágio a Petrobras se encontra hoje? Estamos em um período de revisões periódicas pa- ra melhoras contínuas. Existe uma preocupação muito grande com a qualidade das decisões e que sejam deci- sões compartilhadas. A ideia dos comitês técnicos, por exemplo, é levar aos diretores uma pauta muito mais in- formativa e fácil de entender, na qual eles podem men- surar melhor os riscos das decisões de negócio. O que o sr. traz da experiência de Governança do IBP? Meu trabalho na área de Energia certamente foi um dos fatores que me ajudou a ter um pouco mais de com- preensão do setor. Meu trabalho de pesquisa e de estudo dos grandes casos resolvidos no Departamento de Justi- ça Norte-Americano está relacionado em grande parte às áreas de Energia e Óleo & Gás. Mas sou muito mais um especialista em c ompliance . E o que a sua experiência em escritórios de advocacia e no Walmart podem agregar? Minha experiência em c ompliance começa na Sun Microsystems, que tinha, como consequência de sua plataforma de defender sistemas abertos e questionar sistemas proprietários e práticas anticoncorrenciais, o melhor programa de c ompliance do Vale do Silício. Tra- balhei por oito anos e meio e eles tinham um progra- ma de due diligence de terceiros, incomum na época. Em 2007, fui para o Walmart, que tinha uma força de tra- balho maior que a da Petrobras e dispersa geografica- mente. Dessa experiência pude entender como se faz a divulgação e disseminação de políticas e procedimen- tos para uma população tão grande. Lá também aprendi que uma mudança pequena num processo pode ter um impacto gigantesco na operação. O que muda e o que permanece da gestão do ex-diretor Elek? O Elek fez um trabalho tremendo nesta empresa e um trabalho que era muito mais difícil na minha opi- nião do que é o meu trabalho agora. Ele pegou o mo- mento de resposta a uma crise. Eu estou numa fase de avaliar o que está funcionando e o que não está e refor- çar aquilo que está funcionando. Fala-se hoje que a Petrobras acabou engessada e que se es- tabeleceu a cultura do medo do quem assina. Como desfazer isso? Meu diagnóstico não é necessariamente de que este- jamos engessados. A crítica vem de partes que têm seus interesses. Alguns processos na Petrobras ficaram um pouco mais cuidadosos e formais. Muitas vezes esse co- mentário vem do sentimento e como todo sentimento não tem bases meramente objetivas. Outra coisa que ve- jo é que existiammuitas coisas feitas na Petrobras à mo- da da estória do lagarto e da vovó – eram feitas porque sempre foram feitas. Acho que a Lava Jato e a crise que a Petrobras enfrentou fizeram com que a companhia pas- sasse a se questionar. O Elek fez um trabalho tremendo nesta empresa e um trabalho que era muito mais difícil na minha opinião do que é o meu trabalho agora.”
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