BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
12 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 ENTREVISTA COM RAFAEL MENDES GOMES Ajustadas as arestas, o sr. acredita que a Petrobras es- tará mais ágil? O que se pode esperar é que esse resultado, apesar de traumático e doloroso para todo o mundo envolvido, faça com que se tenha uma empresa que vai ser muito mais ágil. Quando se quer preparar um carro para an- dar muito rápido é preciso investir também no freio. E o tal medo da caneta? Isso não é bom ou é? Não deveria havermedo de assinar.Acredito que isso pos- sa ter sido uma consequência natural de uma percepção dos executivos de que pessoas que assinaram no passado foram punidas, e então passarem a não querer assinar para não se- rem responsabilizados.Mas só vai ser responsabilizado quem falhar com os deveres de diligência. Um dos ganhos da Go- vernança dos últimos dois a três anos é justamente a decisão compartilhada, são os comitês técnicos estatutários que per- mitemdecisões commaior nível de informação. Como o sr. pretende tratar a questão do bloqueio caute- lar, que completa três anos? Primeiro, em absoluta e total conformidade com o que vinha sendo feito antes. Existem determinados cri- térios para manter uma empresa bloqueada e um dos principais é a pendência de responsabilização. O que ti- ra uma empresa do bloqueio é a absolvição, a leniência, implantação de um programa de integridade robusto e proporcional aos riscos a que ela está submetida e se ela reparou os danos causados. Em razão das circunstân- cias, as empresas que têm GRI − Grau de Integridade e Risco − alto não são convidadas para as licitações. A Petrobras tem interesse em que essas empresas sejam liberadas? Estamos em conversas muita ativas com aquelas empre- sas que estão dispostas a corrigir os erros e implementar um programa de integridade. O que não vamos fazer é flexibili- zar regras que forammuito bem estruturadas. Devemos ter notícias nas próximas semanas emeses de empresas que vão sair dos bloqueios ou diminuir o grau de risco. A Petrobras vem convidando a SBM para suas licitações, desclassificando-a na fase de habilitação, sem permitir que outras empresas façam o mesmo. Qual é a explicação? Se uma empresa vem conversar comigo e eu pergun- to: você está em tratativas com as autoridades? Não. Por que vou receber uma proposta dessa empresa? Agora, se há uma que diz: estou na iminência de fechar o acordo com a CGU, será que eu não poderia apresentar uma proposta? Você entende como uma situação pode ser muito diferente da outra? (Nota do editor: a entrevista foi feita antes do fechamento do acordo de leniência entre a SBM, a Petrobras e autoridades brasileiras) Existe a percepção de a Petrobras “engole” as pessoas e que a área precisava de alguém com um novo enfoque. O sr. é essa pessoa? Não pretendo ser engolido. Gostaria muito mais de ser acolhido. Minha experiência profissional me permitiu enxergar o programa de compliance funcio- nando nos mais variados setores e tamanhos de em- presa. Isso me coloca na situação de agregar muito à Petrobras. n O que tira uma empresa do bloqueio é a absolvição, a leniência, implantação de um programa de integridade robusto.”
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