BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 31 E mbora não sejam o prin- cipal repositório de gás do país, as reservas onshore ainda têm muito a ofere- cer. Com custos e investimentos me- nores do que os da produção offsho- re, há potencial de extração em ter- ra em 25 das 53 bacias sedimentares brasileiras, segundo dados da EPE – e apenas cinco delas são maduras: Ala- goas, Sergipe, Espírito Santo-Mucuri, Potiguar e Recôncavo. No ano passado, as reservas onshore do Brasil respondiam por 18% do total das reservas nacio- nais, com aproximadamente 66 bi- lhões de m 3 embaixo da terra. Desse total, foram produzidos 22 milhões de m 3 /dia de gás, respondendo por 19% da produção nacional. Omaior campo produtor é o Po- lo Arara, na Bacia do Solimões, for- mado pelos campos de Arara Azul, Araracanga, Carapanaúba, Cupi- úba, Rio Urucu e Sudoeste Urucu, da Petrobras, tendo produzido em maio 8,2 milhões de m 3 /dia. A produção onshore traz consigo diversos aspectos positivos, como fo- mentar a oferta descentralizada de pe- tróleo e gás, estimulando a expansão da malha de gasodutos do país. Tam- bém potencializa a criação de mais projetos de geração termelétrica na boca do poço, técnica já utilizada pela Eneva em seus campos noMaranhão. As áreas onshore abrem ainda as portas para a produção do gás não convencional, ou gás de folhelho, com possibilidade de exploração desse tipo de reservatório no Ama- zonas, Paraná, Recôncavo, Parnaíba e Solimões. Já as áreas com gás de folhelho em formação fechada – ti- ght gas − podem ser exploradas nas bacias de Parecis, Potiguar Terra, Re- côncavo e São Francisco. Esses aspectos viabilizam o de- senvolvimento de novos mercados, à medida que a oferta aumenta e no- vos gasodutos são construídos de for- ma regionalizada. A oferta descentra- lizada também permite o surgimento de novos supridores, resultado que é esperado pelo governo no programa Gás para Crescer, cujo projeto de lei sobre o tema está parado noCongres- so Nacional à espera de uma decisão. INFRAESTRUTURA A produção onshore, no entan- to, ainda precisa vencer alguns desa- fios para se tornar competitiva. Para o diretor do Centro Brasileiro de In- fraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a falta de infraestrutura de gasodutos e os royalties nos mesmos níveis da produção offshore são duas barreiras para a produção nessa modalidade − a rede brasileira de gasodutos hoje é menor que a Argentina, país de di- mensões bem inferiores ao Brasil. EM COMPASSO DE ESPERA Gás onshore tem imenso potencial e pode gerar importantes negócios, mas está travado por indefinições MATHEUS GAGLIANO Polo Arara é o principal produtor onshore do país, com 8,2 milhões de m 3 /dia
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