BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
32 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 CAPA O crescimento dessa rede, contu- do, precisa seguir uma lógica de mer- cado. Se a capacidade de transporte não for toda utilizada, por exemplo, a instalação não é capaz de oferecer uma taxa de retorno atraente aos in- vestidores.“A rede atual foi construída pela Petrobras, que não estava preo- cupada com essa taxa. Caso seja cons- truído um duto para transportar 10 milhões de m 3 /dia e só for utilizada a capacidade de 2 milhões de m 3 /dia, deixa de haver retorno”, exemplificou. Com relação aos royalties, Pires acredita que o gás onshore compete de forma desigual como offshore e neces- sita de incentivos para atrair mais em- presas. Essa estratégia foi adotada nos Estados Unidos e viabilizou o boom do shale gas, que mudou o mercado internacional. Vale lembrar que o gás offshore normalmente é associado ao petróleo e usado para reinjeção se não tiver ummercado firme. GÁS PARA CRESCER O substitutivo ao projeto de lei 6.407 de 2013, que traz um novo marco legal para o gás, não tem pre- visão de ser aprovado. O presiden- te da Comissão de Minas e Energia da Câmara e novo relator do projeto de lei, deputado Marcelo Squassoni (PRB-SP), já afirmou anteriormen- te que só irá votar a matéria quan- do houver um consenso, o que ain- da parece longe de acontecer. No mercado, a esperança é que o proje- to possa ser apreciado neste mês de agosto ou após as eleições. A proposta é considerada essen- cial para garantir a expansão da re- de de gasodutos, o que, por sua vez, torna viável o gás onshore. Ela pre- vê que a construção de novos gaso- dutos volte ao regime anterior, de autorizações, em vez de concessões, como na lei atual. RESERVOIR-TO-WIRE Enquanto o governo não conse- gue destravar a votação da propos- ta, os agentes do setor vão atuando com as cartas que têm na mesa e bus- cando as melhores opções para via- bilizar a exploração de gás em terra. Uma dessas empresas é a Eneva, que detém concessões na Bacia do Parna- íba, no Maranhão, e recém-adquiriu o campo de Azulão, que pertencia à Petrobras.Omodelo encontrado pela companhia foi a utilização do gás pa- ra geração de energia segundo o mo- delo reservoir-to-wire, ou seja: colo- car uma térmica na boca do poço. O diretor de Exploração e Pro- dução da empresa, Lino Cançado, ressaltou que a exploração onshore, além da falta de infraestrutura para os campos, enfrenta outras barreiras, como a monetização do insumo. Se- gundo ele, novas descobertas são difí- ceis de monetizar porque o gás não é transportável como o petróleo. “Tra- ta-se do mesmo tabuleiro, mas de jo- gos diferentes”, comparou o executi- vo. O modelo de negócios da Eneva se beneficia da vasta rede de transmis- são de energia no país. Cançado ressaltou que o desinves- timento da Petrobras é fundamental para impulsionar a expansão da in- fraestrutura, porque viabiliza o aces- so de terceiro. A Petrobras, entretan- to, suspendeu a venda da Transpor- tadora Associada de Gás (TAG), que detém grande parte dos gasodutos de transporte do país, devido a uma decisão do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, e há bastante incerteza em torno de sua retomada. O que pode ser um fator para impulsionar a exploração do gás em terra é o Programa de Revitalização das Atividades de Exploração e Pro- dução de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (Reate). O progra- ma tem uma série de medidas vol- tadas para incentivar a exploração e produção onshore. O Ministério de Minas e Energia pretende levar uma missão de gover- no à Argentina entre agosto e setem- bro para visitar instalações de baixa permeabilidade na bacia deNeuquén. Amissão tem por objetivo apresentar o trabalho feito no país vizinho em reservatórios não convencionais às autoridades do Brasil. n 0 50 100 150 200 250 2013 2014 2015 2016 2017 Jan/18 Fev/18 Mar/18 Abr/18 Total Mar Terra Comparativo de produção de gás natural em terra e mar desde 2013 (MMm³/dia)
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