BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
36 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 RECURSOS HUMANOS abriu portas para os formandos que vieram depois”, ressalta. Da primeira turma também fize- ram parte Clarindo Caetano Macha- do Neto, presidente da Ubuntu ( veja a reportagem “Terra Fértil”, também nesta edição ); JaquelineMeire deMelo Xavier, que trabalha como coordena- dora de Geociências na BHGE, e Re- ginaldo Machado Mattos, que não foi localizado pela Brasil Energia Petróleo . Desde então, a Uenf formou ou- tras 15 turmas, totalizando cerca de 285 engenheiros de petróleo. Uma das principais marcas de seu currículo é a ênfase na geologia e geofísica. “É uma formação multi e inter- disciplinar, possibilitando a articula- ção entre as atividades que compõem a exploração e produção de petróleo”, explica o atual coordenador do curso, Carlos Enrique Pico. CRISE Além de na Petrobras e em gran- des prestadoras de serviço com atua- ção no Brasil, são comuns os casos de ex-alunos que atuam no exterior, em países como EUA, México, Equador e até mesmo no Oriente Médio. Nos últimos anos, porém, os no- vos engenheiros de petróleo têm en- frentadomaior dificuldade para se in- serir no mercado. “Antes [a inserção] era praticamente imediata, do estágio ao primeiro emprego. Mas são oscila- ções comuns a essa indústria”, atenua Pico, referindo-se à baixa dos preços do barril de petróleo a partir de 2014. Formada em julho pela Uenf, Ta- tiana Vitório Isidorio, de 24 anos, ain- da esperava resposta de empresas pa- ra as quais havia enviado seu currículo quando conversou coma reportagem. Com a crise, ela foi forçada a pro- curar também por vagas para enge- nharia em geral. “Não podemos nos apegar somente ao petróleo. Mas o mercado está aquecendo, o pessoal tem conseguido estágio”, relata. Sua primeira experiência foi na Halliburton, no setor de perfilagem e canhoneio.“Meuperfil é de campo, não escritório”, afirma Tatiana, que escolheu a engenharia de petróleo por conta de uma feira de ciências de que participou na escola, aos 12 anos de idade. QUALIFICAÇÃO A gerente de Recrutamento da Ro- bert Half, Aline Brum, diz que já há um aumento do número de vagas pa- ra engenheiros de petróleo, à medi- da que as empresas começam a fazer um plano de retomada. No entanto, o movimento ainda é tímido. Um impulso a mais para a car- reira pode ser conseguido com cur- sos de especialização, pós-graduação e MBAs, recomendáveis a engenhei- ros que pretendem atuar na área de compras, por exemplo. Mas esses di- plomas serão de pouca utilidade se o engenheiro não souber falar inglês. “A única qualificação comum a todos os profissionais interessados em atuar no setor de óleo e gás é a fluência do inglês. Ela é mandatória”, alerta Aline. O diretor Regional da Hays, Rafael Falcão, diz que precisou, recentemen- te, recrutar operadores de guindaste com conhecimento em inglês, pois os comandos eram todos no idioma es- trangeiro.“Omercado e as técnicas es- tão cada vezmais globais e padroniza- dos”, ressalta. Ele avalia que, no momento, a maior demanda no mercado é por profissionais com experiência para avaliar a viabilidade de projetos, uma vez que muitos empreendimentos es- tão em fase de estudo. Os salários para esses profissionais podem chegar a R$ 60 mil, no caso de geofísicos. Já um engenheiro de pe- tróleo inicia sua carreira hoje ganhan- do, em média, entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, calcula Falcão. DADOS Desde 1998, muitas universida- des brasileiras abriram cursos de en- genharia de petróleo. Hoje, são 80 em atividade, com quase 15 mil vagas au- torizadas, de acordo com informações doMinistério da Educação (MEC). O último censo sobre matrículas e concluintes divulgado pelo governo data de 2016,quandoonúmerode ins- tituições era quase 50% menor que o atual. Naquele ano, o número de ma- trículas registradas foi de 7,6 mil e o de concluintes, 1,1mil. Para os recém-formados, o cenário ganhava contornos ainda mais delicados pela incerteza quanto ao reconhecimento do governo sobre a natureza de sua formação
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=