BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 39 empresas começarão a contratar mais agressivamente e, de início, procurarão preencher cargos com ex-funcionários e indicações, pois há candidatos muito competentes no mercado. A longo prazo, a partir de 2020, isso irá se esgotar à medi- da que os projetos surgirem e a dis- puta por talentos voltar a emergir. Haverá sempre o desejo de todas as empresas, seja a curto ou longo prazo, de garantir a melhor equipe, especialmente em um setor como o de petróleo e gás, que é tão técnico e com apostas tão altas. Que tipo de profissionais será mais exigido? As empresas procurarão abordar o equilíbrio de gêneros e precisarão contratar brasileiros que falam inglês. Com tantas novas empresas estran- geiras, a capacidade de interagir com essas empresas será fundamental. De- pois de uma extensa consultoria com algumas firmas locais e internacio- nais, verificamos que existe umdesejo real de contratar brasileiros que falam inglês com experiência no exterior ou para negócios internacionais, em que possam entender as diferenças de cul- tura/práticas de trabalho e prosperar em ambos os ambientes. Os salários vão crescer? No curto prazo não, devido ao grande número de pessoas desem- pregadas e, na verdade, pode até ter uma queda, à medida que as pesso- as forem voltando para o mercado de trabalho. Uma parte do proble- ma que o Brasil teve antes do crash foram os salários inflacionados, en- tão as empresas hesitarão em ofe- recer grandes salários inicialmente. Pode ser que haja um aumento dos salários quando o mercado retor- nar ao foco de buscar candidatos. Quais são os segmentos que mais se beneficiam no curto prazo? A área de serviços de campo (oil- field services) e as novas operadoras serão as primeiras quando se trata de contratação. As empresas de ser- viços de campo reduziram conside- ravelmente os seus quadros nos últi- mos anos e precisarão substituir esse contingente à proporção que novos projetos e licitações forem lançados. As novas operadoras têm equipes muito pequenas atualmente e preci- sarão usar o banco de talentos brasi- leiro para contratar os funcionários e as habilidades para melhor ajudar os negócios a crescer e ter sucesso aqui. Qual é o potencial para os próxi- mos anos? A partir do segundo trimestre de 2019, deve haver muitas oportunida- des no mercado. Relatórios do setor sugerem que possivelmente 500 mil empregos diretos e indiretos serão criados nos próximos quatro anos. Isso, é claro, será afetado pelas políti- cas do novo governo. No entanto, fa- lando com vários líderes do setor no Brasil, existe a sensação de que o novo governo, seja qual for, continuará com a abordagempragmática da indústria, que só pode ser benéfica para todo o Brasil a curto e longo prazo. O que o sr. diria aos jovens que estão pensando em estudar em uma área relacionada à atividade de pe- tróleo e gás? É uma indústria fantástica, com muitas oportunidades locais e glo- bais, uma indústria muito inovado- ra e com algumas pessoas incrivel- mente inteligentes e engenhosas tra- balhando nela. É uma indústria cí- clica e está à mercê de uma série de fatores em todo o mundo. E prati- quem a língua inglesa. Quais são as ameaças para o re- crutamento da indústria de petróleo e gás no Brasil? Não é novidade que aqui no Brasil o governo pode ter um efei- to muito grande na indústria e, portanto, no mercado de trabalho, mais do que em vários outros pa- íses. O preço do petróleo, que de- pende de vários fatores globalmen- te, incluindo o político, sempre afe- tará o mercado. Se o preço cair novamente, as pro- jeções são mantidas? Acreditamos que, enquan- to o preço permanecer em torno de US$ 60 por barril, a tendência atual da indústria para a prospe- ridade continuará. n Falando com vários líderes do setor no Brasil, existe a sensação de que o novo governo, seja qual for, continuará com a abordagem pragmática da indústria, que só pode ser benéfica para todo o Brasil a curto e longo prazo
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