BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

40 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 Armando Cavanha OPINIÃO Armando Cavanha F. é professor convidado da FGV/MBA, moderador em cavanha.cafe e escreve quadrimestralmente para a BE Petróleo Por que o onshore de petróleo no Brasil está tão acanhado? A indústria de óleo e gás possui uma mundialidade ímpar, do ponto de vista da distribuição da atividade nos continentes. Com maior ou menor regulação do Estado, com maior ou menor presença de empresas globais, com maiores ou menores restrições ambientais, com o supply chain mais desen- volvido localmente ou mais importador, e, para não ser diferente de outras atividades, maiores ou menores incentivos e bonifica- ções nos negócios. Essa indústria possui uma sequência produtiva longa. As diferentes formações profissionais ao longo desse processo en- volvem geólogos, geofísicos, engenheiros de Reservatório e de outras especialidades e, praticamente, todas as demais profissões de estruturas de empresa em geral. Contém interfaces intensas com regulado- res, agências, Estado, envolvendo concessões, partilha de produção, meio ambiente, desen- volvimento de tecnologias e universidades. Na primeira fase do processo produtivo, há uma distinção importante entre as ope- rações localizadas em terra ou mar. A natureza escolheu onde preferia alo- jar seus reservatórios de hidrocarbonetos. E quais deles poderiam ser descobertos. O desenvolvimento e monetização, ela liberou para o ser humano decidir. Colocou este de- safio para a indústria, que complica ou sim- plifica a sua interação. E, assim, há uma boa diferença das ati- vidades em mar ou em terra, pois equipa- mentos, treinamento, condições de vida e supply chain são distintos e adaptados para seguir a riqueza. Um foco essencial é o do conjunto de re- gras e atratividade para cada um dos dois ambientes, o onshore e o offshore. Especificamente no Brasil, pelo que se co- nhece até hoje, aparentemente os volumes a produzir no offshore seriam maiores do que no onshore, mas os investimentos, custos e riscos seriam maiores no offshore. No Brasil offshore, a produtividade por dólar aplicado parece excepcional e muito atrativa, conforme se avalia pelos leilões recentes. Costa da África e Golfo do México também possuem boa re- ceptividade para águas mais profundas. Uma das primeiras atividades da sequên- cia produtiva é a aquisição de dados geofísicos. ONSHORE INCENTIVADO Do ponto de vista estratégico, o E&P em terra deveria ser tão estimulado quanto o offshore

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