BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 41 Ela já apresenta as primeiras diferen- ças entre offshore e onshore. Em ter- ra, utilizam-se explosivos ou vibrado- res para geração de ondas sônicas pa- ra reflexão e mapeamento do subso- lo, com geofones implantados no solo que capturam as ondas de reflexão. Em mar, são navios com cabos de bombas de ar arrastando e cap- turando dados para análise e inter- pretação, com hidrofones flutuan- tes ao longo dos cabos. A perfuração é outra ativida- de com diferença de equipamentos importante, sondas de mar ou de terra são completamente distintas. Nos EUA, em terra, tem havido uma retomada das operações de fra- turamento hidráulico, o que tem ele- vado a produção de petróleo equiva- lente em mais de 50% nos últimos tempos.Dos 12milhões de barris por dia produzidos por lá, 4 milhões a 5 milhões já são dessa forma crescen- te de produção em terra, da chamada produção shale gas e tight oil. Os equipamentos para offshore e onshore são diferentes, apesar de algumas características serem co- muns, sobretudo na produção cha- mada de convencional. Quer sejam sondas flutuantes, ou apoiadas no subsolo marinho, ambas offshore, ou sondas terres- tres, todas fazem coisas semelhan- tes, com equipamentos diferentes. Já o fraturamento hidráulico do shale gas possui características bas- tante distintas. A produção em mar enfrenta desafios de logística, escoamento da produção, permitindo induzir a poucos canais de recepção em ter- ra. Já a produção em terra conduz mais à regionalização, reduzindo logísticas por vezes desnecessárias dos fluidos para aproveitamento em refino, petroquímica, indústria ou energia térmica, com caracterís- ticas mais locais. Do ponto de vista de estratégia de país, especificamente o Brasil, as três modalidades deveriam ser in- centivadas economicamente, sim- plificadas nas regulações de conces- são e meio ambiente, aproveitadas para distribuir riqueza e trabalho regionalmente: offshore, onshore convencional e onshore shale. Independentemente da atrativi- dade econômica de cada uma delas, a soma dos resultados é a melhor solu- ção. Uma é mais volumétrica, outra é mais regionalizável, a terceira é pro- missora e demaior simplicidade pro- dutiva. É uma estratégia para crescer e diversificar, ainda mais em um país centrado numa única fonte de ener- gia, a hídrica, e dos transportes do- minantes por estradas e caminhões. Portanto, não se trata de Onsho- re OUOffshore,mas simde Onsho- re E Offshore, simultaneamente. Seria um objetivo interessante incentivar o onshore para interiori- zar a produção de energia, aumen- tar a inserção de empresas de me- nor porte na atividade produtiva, aumentar o conteúdo local natural. Poderíamos pensar em um con- junto de ações para dinamizar es- ta camada de oportunidades do onshore. Abrangendo um pacote regulatório específico, simplifica- do, com questões ambientais resol- vidas, incentivos tributários, des- burocratização estadual, incluindo concessionárias regionais e uso da cláusula de P&D do offshore para pesquisas onshore. Portanto, estes e outros exemplos poderiam ser ob- jeto de um pacote completo de mo- tivação empresarial. Alternativas como bônus (com- pensando atividades de interes- se realizadas) ou incentivos (como um plano à frente, motivador), es- tratégias da política e regulação pa- ra direcionar o mercado para as ca- rências existentes podem ser úteis na mudança de perfil de um país. É torcer e ajudar para que possa acontecer e perdurar uma gestão governamental que se preocupe mais com estratégias de estimulação e estabilidade dos negócios, cada qual com seu atrativo, rentabilidade e simplicidade. Sem subsídios, mas com incentivos e bonificações, impul- sionamentos. Bem-vindo, onshore.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=