BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

46 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 Ieda Gomes OPINIÃO Ieda Gomes é uma consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve quadrimestralmente para a Brasil Energia Petróleo A Conferência Mundial de Gás foi realiza- da emWashington (EUA), de 25 a 29 de junho, coma participação de cerca de 2.000 delegados, e a ausência marcante de tradicionais empre- sas da Rússia e Irã, por força das sanções atual- mente em vigor contra aqueles países. Como destaque, a participação do Secretá- rio de Estado de Energia dos EUA, Rick Perry, do novo Ministro de Minas e Energia da Ar- gentina, Javier Iguacel, e dos CEOs da BP, Equi- nor, Exxon, Total, ConocoPhillips e Chevron. OBrasil contou com representantes da Abegás, IBP, TBG, Petrobras, ANP, Abrace e MME. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, e o gerente-executivo de Gás da Petrobras, Mar- celo Cruz, contribuíram como palestrantes em painéis de debates e sessões plenárias. O governo norte-americano está imple- mentando uma iniciativa bilateral com a Ín- dia, visando aperfeiçoar o marco regulatório do setor naquele país. Além disso, a ação vi- sa a reduzir os entraves à maior participação do gás na matriz energética no país asiático; o Brasil poderia se beneficiar de iniciativa se- melhante, caso deseje aprofundar laços com a Federal Energy Commission (FERC) e com o Departamento de Energia, órgãos do go- verno dos EUA. Os principais temas de interesse relacio- nam-se comas questões climáticas e o papel do gás como combustível de destino ou de transi- ção, a emergência da China como o segundo maiormercado importadormundial de GNL e o modo como as empresas de petróleo estão se adaptando à realidade de um futuro energético mais descarbonizado. Nesse último caso, algumas empresas re- fletem esse futuro com mudança nos nomes e marcas: a Statoil passa a chamar-se Equinor, a Gás Natural Fenosa mudou para Naturgy, a GDF Suez passou a chamar-se Engie e a BP, desde 2000, desenhou um logo com a estraté- gia de Beyond Petroleum. As empresas petrolíferas vêm sendo pres- sionadas também por grupos ativistas, ONGs e investidores a se alinharem com as metas do Acordo de Paris. A BP anunciou recentemente que vai investir US$ 500 milhões por ano em energias mais limpas, a Shell prepara-se para investir mais de US$ 1 bilhão por ano em no- vas energias, a Total está investindo em energia solar e baterias, enquanto a Equinor investe em energia éolica. Uma das painelistas da ONU, referindo- -se às emissões de metano na cadeia de va- lor do gás natural, acusou as empresas petro- líferas de “estarem lucrando” com emissões danosas ao meio ambiente, e deixou suben- tendido que se essas empresas não atuarem mais efetivamente, as organizações multila- terais cumprirão esse papel. Em 2017 o presidente do Banco Mundial anunciou que deixaria de financiar projetos de E&P de petróleo e gás natural a partir de 2019, com exceções apenas para países mais pobres, onde petróleo e gás sejam as opções mais viá- veis para acesso à energia. Em 2017, as energias renováveis foram res- ponsáveis por 50% do crescimento da geração de eletricidade no planeta. Segundo a BP Sta- tistical Review 2018, o crescimento dessas fon- tes energéticas em 2017 foi de 17%, enquanto o consumo de gás natural cresceu 3%, o maior incremento anual desde 2010.AChina (+15%) e o Irã (+6,8%) lideraramo aumento do cresci- mento. A despeito do progresso do gás natural e das energias renováveis, o carvão ainda repre- senta cerca de 38%da produção de energia elé- trica no mundo. O GNL continua a ser considerado como uma opção energética fundamental para o crescimento econômico com menores impac- O GÁS GANHA FORÇA Conferência Mundial de Gás realizada em Washington (EUA) foi marcada por debates sobre o futuro do gás e novos modelos de negócios

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