BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 47 tos em termos de poluição e efeitos climáticos. Suprimentos crescentes oriundos de novos projetos na Aus- trália e EUA, acoplados a preços mais acessíveis, implicaramno aumento do comércio internacional de 356,7 bi- lhões de m 3 em 2016 para 393,4 bi- lhões de m 3 em 2017, com o cresci- mento recorde de importações pela China, que passou de 35,9 para 52,6 bilhões de m 3 no mesmo período. O governo chinês tem dado di- retrizes firmes para substituição de carvão por gás natural e energias renováveis em grandes centros ur- banos. Essas diretrizes passam pela proibição de uso de carvão em aque- cimento residencial, retrofitting de usinas a carvão menos eficientes, fi- xação de taxas de retorno de, respec- tivamente, 8% e 7% para os segmen- tos de transporte e distribuição de gás, obrigação de manutenção de es- tocagem tanto para os supridores co- mo para os distribuidores de gás e fi- xação da meta de participação do gás na matriz energética em 10% no ano de 2020, em vez dos atuais 7%. Existe uma previsão de que o consumo de gás na China atinja 400 bilhões de m 3 em 2024, o que colocaria o país co- mo o segundo maior consumidor de gás natural no mundo. Hoje a China conta com 18 terminais de importa- ção de GNL, com capacidade de 90 bilhões de m 3 , que deverá ser amplia- da para 104 bilhões de m 3 em 2020. Além do crescimento do consu- mo de GNL na China, destaca-se ain- da o aumento de capacidade de im- portação em mercados emergentes como o Paquistão, Malásia e Tailân- dia e o aparecimento de novos im- portadores, como Malta, Panamá, Bangladesh e Bahrein. A despeito do crescimento do consumo, a demanda mundial real ainda ficará aquém da capacidade de liquefação até 2023/2025. Assim sen- do, novos projetos greenfield no Ca- nadá, EUA e Moçambique ainda não conseguirammassa crítica de contra- tos para possibilitar a decisão final de investimentos. Paira também uma questão geo- política, pois a guerra comercial en- tre os EUA e a China poderá preju- dicar as exportações de GNL nor- te-americano para o mercado que apresenta maior índice de cresci- mento do consumo. Outro tópico de interesse releva a mudança no modelo de negócios: grandes compradores de GNL no mercado asiático resolveram alavan- car a força de seus portfólios para se tornarem supridores, como é o caso da Petrochina, com um portfólio de mais de 10 milhões de t/ano (mtpa) e do consórcio Tokyo Electric Power (TEPCO) e Chubu Electric, que se uniram para formar a JERA, que ho- je é o maior comprador mundial de GNL, agregando 35 mtpa, oito ter- minais de importação e 70 GW de demanda elétrica. O rápido aumento da participa- ção das energias renováveis e da ele- trificação do transporte individual e coletivo, a pressão de ativistas e in- vestidores contra combustíveis fós- seis, bem como a crescente conscien- tização quanto às questões climáti- cas, trazem um ponto de interroga- ção sobre o valor futuro das reservas de petróleo e das companhias deten- toras dessas reservas a partir de 2050. O gás natural é o combustível fóssil mais limpo e eficiente, mas o debate sobre as emissões de metano come- ça a tomar forma mais intensa, bem como a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre o ciclo de vida dos projetos de gás natural. Três anos atrás, na Conferência Mundial realizada emParis, as discus- sões centravam-se sobre preços e ín- dices, bem como no papel dos gover- nos de viabilizar a construção de in- fraestruturas. Na conferência de Wa- shington, questões climáticas, o futu- ro do gás, novos modelos de negócios e questões geopolíticas ocuparam o centro dos debates. Gás natural: consumo per capita 2017 (milhões de toneladas de óleo equivalente)

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