BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 49 O GNL embarcado é a melhor alternativa pa- ra escoar o gás do pré-sal. Essa opção da- ria às empresas a possibilidade de exportar o energético para os mercados doméstico e internacional. Essa é a opinião de Claudio Steuer, pes- quisador brasileiro do Oxford Institute for Energy Stu- dies, que concedeu essa entrevista à BE Petróleo em re- cente passagem pelo Brasil. Ele menciona que projeto semelhante da Petrobras no passado não foi à frente, mas, com a diversidade de novos players no pré-sal, a alternativa volta a ganhar força. Steuer falou ainda, en- tre outros assuntos, sobre o mercado nacional de GNL e as perspectivas de inserção brasileira no mercado glo- bal de gás. O uso do GNL ainda é incipiente no país, embora diversos projetos comecem a aparecer no horizonte. O Brasil é um mercado a ser considerado? É válido ressaltar que o Brasil foi pioneiro na área de GNL porque é o primeiro país no mundo que co- meçou a utilizar apenas terminais flutuantes para regaseificação. Não há nenhum país no mundo com o tamanho do Brasil que tenha esse nível de consu- mo de energia e que ainda precise comprar GNL no mercado spot. Não questiono se é sensato ou não, mas acredito que o Brasil inovou criando uma capa- cidade de geração de energia elétrica por meio das térmicas a gás, diante do cenário atual dos reserva- tórios, que têm ainda outras funções, como abaste- cer a agricultura e ainda suprir as necessidades bási- cas da população. É uma escolha de Sofia: suprir as necessidades básicas da população, usar a água para regar os campos ou usar para gerar energia? Nas suas projeções, o Brasil daqui a alguns anos será ex- portador ou importador líquido de gás natural? Não há dúvida que com o crescimento da produ- ção de petróleo, principalmente no pré-sal, o Brasil terá um excedente de gás. A questão é que hoje to- dos os grandes produtores, pelos altos investimen- tos exigidos para extrair o petróleo, acabam tendo de reinjetar o gás para maximizar essa produção. Há ainda outro problema: esse gás do pré-sal tem alto teor de H 2 S e CO 2 . E se for enviado para o gasodu- to sem tratamento, poderá surgir uma solução cor- rosiva. Estamos falando de vários bilhões de dólares que precisam ser “enterrados” nos campos do pré- -sal para trazer o gás para a costa. …e, com isso, esse gás poderá chegar a um preço com- petitivo? Tenho minhas dúvidas. Se forem levadas em con- sideração essas questões que citei antes, não chega [a um preço competitivo]. Com essas distâncias [a cer- ca de 300 km da costa] e com a profundidade do pré- -sal [que pode chegar a 7 mil m], acredito que o fu- turo seja produzir o GNL embarcado, o que dá a pos- sibilidade de enviar o gás para o mercado domésti- co, jogando o excedente no mercado internacional. A Petrobras produziria a sua própria necessidade sem precisar assinar contrato. Mas a Petrobras já fez essa avaliação e o projeto acabou não indo à frente… Na gestão da ex-presidente Maria das Graças Fos- ter essa possibilidade foi considerada fortemente. Hou- ve uma concorrência na qual a Petrobras gastou cerca de US$ 200 milhões entre três consórcios para desenhar uma solução. Mas por uma questão de risco e custo não ficou comprovado se seria caro. Neste ano, surgiu um projeto da Petronas, na Malásia, e há também o proje- to Prelude, da Shell, do qual tive a honra de participar. Não há dúvidas de que o Brasil irá se tornar produtor de GNL. A grande dúvida é quando.”

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=