BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018

50 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 ENTREVISTA COM CLAUDIO STEUER Ainda assim há chances de decolar no Brasil? O GNL embarcado pode ter uma chance no Bra- sil, ainda mais agora que a ExxonMobil investiu US$ 2,7 bilhões na aquisição de blocos exploratórios e na compra da participação da Equinor, em Carcará. Não há dúvidas de que o Brasil irá se tornar produtor de GNL. A grande dúvida é quando as companhias que atuam no pré-sal ficariam dispostas a vender o gás. Como fica a competitividade do GNL diante de outras op- ções, como o gás do pré-sal, o gás onshore e o da Bolívia? Vejo que nos próximos cinco a dez anos o país continuará a ser importador. E acredito que o pro- blema de impossibilidade do setor hídrico de cons- truir novas usinas com reservatório aumenta a ins- tabilidade do setor [de energia elétrica]. À medida que melhora a economia – sem artifícios populistas –, teremos um salto de consumo de energia elétrica. Os projetos termelétricos que vão competir no lei- lão A-6 vão seguir tendo espaço porque trarão capa- cidade de apoio para a geração renovável. O siste- ma é desigual para a geração termelétrica porque ela carrega o ônus de prover todo o mercado. Veja o ca- so das usinas da Bolognesi: tinham 100% de inflexi- bilidade, podendo tanto gerar muito quanto não ge- rar nada. A termelétrica é a usina que tem o menor capex (custo de investimento) por kW em relação a projetos eólicos, offshore ou onshore. Hoje o país produz cerca de 100 milhões de m 3 /dia. Do ponto de vista geopolítico, você vê o Brasil assumindo uma posição de player mundial importante no mercado de gás? Fiz uma pequena projeção na qual, até 2030, o Bra- sil se tornará o 5º maior produtor de petróleo do mun- do, se todos os investimentos forem confirmados, se ocorrerem novas descobertas e houver produção. En- tão é lógico que vai haver muito gás, tanto associado quanto não associado. Mas o gás ainda tem uma parti- cipação pequena na matriz energética brasileira e ain- da tem espaço para crescimento. Há ainda a falta de um mercado final para o consumidor de gás, então os produtores precisam encontrar uma solução viável. Petroquímicas a gás e usinas de fertilizantes podem ser grandes consumidores. Se o setor do gás não fizer um exercício de redução de custos de produção, as renováveis podem ocupar esse es- paço. Então, onde pode estar a gordura que ainda deve ser queimada? Já existem diversos players antenados com essa ques- tão. Nos Estados Unidos, ocorrerá um crescimento ex- pressivo no mercado doméstico e chegará ummomento em que o gás vendido no henry hub causará um proble- ma de suprimento e os novos projetos de GNL já acor- daram para essa realidade. Há alguns players de GNL que já investem em ativos de upstream para conseguir controlar os custos. n Não há nenhum país no mundo com o tamanho do Brasil, que tenha esse nível de consumo de energia e que ainda precise comprar GNL no mercado spot.” Steuer em recente evento da Argus, no Rio

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