Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019
Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 21 Qual o propósito de sua viagem ao Brasil? A BP, assim como a maior parte do mundo de ener- gia, está animada com o potencial e as perspectivas do Brasil, tanto no que se refere à produção quanto ao con- sumo de energia. A economia no país voltou a crescer e, por isso, é um mercado importante para nós. Tam- bém vim conversar com empresas e representantes do governo sobre o nosso Energy Outlook 2040. Quais são os destaques do estudo? Primeiro, esperamos que a demanda global por energia continue a crescer. Algo entre 20% e 30% nos próximos 20 anos. A maior parte do crescimento vi- rá do mundo em desenvolvimento, liderada pela Chi- na e outras economias de rápido crescimento na Ásia. Parte disso virá do crescimento populacional, mas a maior parte, de uma crescente prosperidade a partir da emergência de uma classe média na Ásia. Quais são os desafios que esse crescimento impõe? O desafio é que você precisa reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, produzir mais energia. Em segundo lu- gar, enxergamos um crescimento continuado da deman- da por óleo nos próximos 20 anos. Ou seja, o mundo vai precisar de trilhões de dólares em investimentos em óleo para suprir essa demanda. Além disso, estudamos as im- plicações da revolução da mobilidade, a saber, carros elé- tricos, shareability (Uber, Lift, etc.) e carros autônomos. E qual a principal conclusão dessa visão até aqui? Com relação às emissões, a mensagem do Energy Outlook é a que nós não estamos fazendo progresso suficiente no momento para atingir as metas do Acor- do de Paris. Precisamos de uma mudança mais rápida, se quisermos chegar lá. E uma parte importante dessa mudança são os governos ao redor do mundo coloca- rem um preço no carbono, pois isso criaria incentivos para todos os agentes envolvidos. Como você vê o Brasil nesse cenário de transição para uma economia de baixo carbono? Os desafios aqui são muito diferentes do de qualquer país que já visitei. Na maior parte deles, o maior desafio é a transição para combustíveis de baixo carbono. E isso é muito caro e muito disruptivo de se fazer. Vocês já che- garam lá! Não há outro país no mundo no qual 40% do consumo são de combustíveis não fósseis. E acreditamos que essa fatia aumentará nos próximos 20 anos. Uma vez que já estamos lá, quais são, então, os desafios do Brasil? O primeiro deles é vulnerabilidade no setor de ener- gia ainda muito dependente da hidroeletricidade. Espe- ramos que a demanda por geração de energia elétrica quase dobre nos próximos 20 anos. Então, o desafio é garantir a estabilidade para as hidrelétricas, parte disso com eólicas e solar. Mas também com o gás. Nesse senti- do, há problemas significativos com relação à infraestru- tura. Os gasodutos têm de ser construídos rapidamente de forma que não travem a produção do petróleo. A decisão da BP de investir em energia solar mira essa necessidade de assegurar robustez para o sistema elétrico? Acreditamos que a energia solar resolve emparte o pro- blema da intermitência, porque o tipo de intermitência des- sa fonte é diferente da [intermitência] das hidrelétricas. No entanto, o gás deve ter omaior papel nessa solução. Odeba- te que temos é se esse gás vai ser usado na base ou só como reserva de emergência. OBrasil temque decidir qual é opa- pel que quer para o gás nos próximos 20 anos. Existe realmente uma janela de oportunidade que precisa ser aproveitada imediatamente para produzir o petróleo no Brasil? Não é uma janela estreita. Mas se o mundo realmente quiser atingir as metas do Acordo de Paris, haverá uma re- dução significativa na demanda por óleo. E nesse sentido, há alguma urgência para países como o Brasil monetizarem es- ses ativos. Além disso, há países sentados sob reservas equi- valentes à produção por 70 ou 80 anos. Sendo assim, se eles resolveremacelerar essaprodução, opreçocairá. OBrasil, no entanto, tem uma combinação da geologia na Bacia de San- tos, mudanças regulatórias e economia diversificada que dão a ele umdiferencial competitivo. Qual o papel do pré-sal no suprimento da demanda por óleo no mundo? Nossa projeção é a de que a demanda crescerá 5 mi- lhões de barris de óleo por dia. Acredito que a varieda- de da oferta virá de uma combinação entre tight oil e um pacote de óleos e eu não vejo muitos países no mundo, além dos Estados Unidos, aumentando sua produção de óleo. A única exceção, praticamente, é o Brasil. Acredi- to que o pré-sal brasileiro será um competidor natural. Meu palpite é que a oferta crescerá entre 1 milhão e 2 milhões de barris por dia nos próximos 15 a 20 anos. Então, a produção de óleo passará de algo em torno de 3 milhões, 4 milhões de barris por dia para 4 milhões, 5
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