Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019
Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 39 A tendência de que grandes empresas estran- geiras de petróleo, incluindo estatais, au- mentem sua presença no país, impulsiona- das pelo calendário de leilões, é grande. Em razão disso, essas empresas se tornam um alvo poten- cial de ciberataques. Sobretudo em razão da alta produ- tividade do pré-sal e da importância geopolítica dessa fronteira produtiva. Atualmente, em escala mundial, o setor de óleo e gás é o segundo mais atacado por ciberataques, per- dendo apenas para o mercado financeiro. Mesmo as- sim, apenas 35% das empresas do setor afirmam que possuem uma boa capacidade para responder a esses tipos de ataques. O dado está na pesquisa The State of Cybersecurity in the Oil & Gas Industry: United States. Ou seja, 65% das empresas possuem uma capacidade precária de resposta - indo do zero ao mediano. Hoje, cerca de 0,5% a 2% da receita de uma petrolei- ra vai para investimentos em cibersegurança. “O mer- cado de petróleo e gás é um mercado que movimenta muito dinheiro, não é a toa que 15% do PIB nacional vem desse setor. Com os novos leilões, o número de operadores no Brasil deve dobrar na próxima década. Isso atrai interesse financeiro e o aumento dos ataques”, afirma Gabriel Roisenberg, executivo de Relações com Clientes da Intelie. “A indústria de óleo e gás nunca tinha lidado com grandes ameaças nesse campo. Com a vinda de gran- des operadoras estrangeiras, que possuem confli- tos locais (em seus países de origem) e participam de conflitos internacionais, as empresas brasileiras se tornam alvos. Espionagem industrial, ataques à infra- estrutura crítica e ataques de ciberativistas em geral serão comuns nos próximos anos”, afirma Cleber Pai- va, gerente de Produtos e um dos sócios da Proof, em- presa de cibersegurança. POR QUE OS ATAQUES? A transformação digital fez com que a indústria de óleo e gás começasse a ter que conviver com tecnolo- gias que não lhe eram familiares, principalmente para aumentar a eficiência de ativos que já existiam. A auto- mação, a interligação de sistemas, o uso de sensores em perfurações automatizadas e os dados na “nuvem” são exemplos dessas tecnologias, que aumentam a superfí- cie para os ataques e tornam as empresas mais vulnerá- veis a uma pane total. “Quanto mais interligada é a empresa, mais pon- tos únicos de falha nos sistemas existem. Basta com- prometer um único sistema para toda a cadeia travar” afirma Paiva. Nesse caso, as consequências são variadas e inúme- ras. Entre elas, travamento de sistemas internos, com- prometimento de operações, vazamentos, etc. Em ca- sos mais graves, podem até mesmo influenciar a balan- ça comercial de um país. QUEM FAZ, COMO ACONTECE E O QUE PODE SER ROUBADO? Os ciberataques são feitos por hackers, especialistas tecnológicos que possuem conhecimento em sistemas operacionais e/ou programação. Essas pessoas podem trabalhar para um governo ou não. Nesse último ca- Entrada de grandes empresas estrangeiras de petróleo no Brasil torna setor um cobiçado alvo para ataques virtuais com resultados bem reais ANA LUÍSA EGUES
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