Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019
40 Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 CYBERSEGURANÇA so, são considerados hackers-ativistas, mas nada impe- de que eles não possuam um viés ideológico e político. Os ciberataques executados por hackers filiados aos governos são os que têmmais chance de sucesso. Já que, geralmente, envolvem equipes em operações que levam meses. O mercado de cibercrimes é extremamente lu- crativo, sofisticado, profissional e, na maioria das vezes, com interesses geopolíticos. Segundo Roisenberg, todo ataque a uma empresa de petróleo é um ataque geopolítico. “Sendo o óleo uma commodity mundial e que afeta o mercado glo- bal, todo ataque a uma empresa de petróleo é algo muito grave. Sendo em empresas gigantes, como por exemplo a Petrobras, todo ataque seria um ataque ge- opolítico. Porque ele vai afetar o mercado, vai mexer com interesses nacionais.” COMO ACONTECE? Os ciberataques podem acontecer de várias formas, depende da intenção de quem está atacando e do que será roubado. Os tipos mais comuns são chantagem; entrada por fornecedores e terceiros; um click errado num e-mail suspeito. Na maioria dos casos, o crime acontece sem que ninguém entre ou saia da empresa. O fator humano prevalece como o maior risco. Uma pesquisa da Ponemon Institute e patrocinada pe- la Opus afirmou que 70% dos ataques bem-sucedidos envolvem seres humanos agindo diretamente. Uma das táticas mais usadas é a tática de phishing, que usa e- -mails “isca” para roubar dados pessoais, como senhas e dados bancários, por exemplo. O QUE PODE SER ROUBADO? O campo de atuação vai desde a falsificação de da- dos até o comprometimento geral de toda a infraestru- tura crítica da empresa. Um dos casos mais relevantes foi o ataque à Saudi Aramco, ocorrido em 2012, que deixou mais de 35 mil computadores inutilizados. O sistema da petroleira ficou suspenso, e todos os contro- les de entrada e saída de petróleo foram afetados. Para manter a produção ativa - já que parar seria mais caro ainda para a empresa -, a Saudi Aramco teve que deixar o óleo “sair de graça”. O ciberataque à Saudi Aramco teve indícios de que foi motivado politicamente. O grupo que se declarou responsável, chamado “Cutting Sword of Justice” afir- mou, na época, que a Aramco apoiava o regime autori- tário da família real Al Saud. “É um assunto bem sensível. Eu, se fosse um ope- rador, já estaria dedicando esforços de RH e financei- ros para essas ferramentas. Até porque, do leilão ao processo de produzir leva tempo. Por isso, as empre- sas precisam se preparar agora. As empresas novas precisam olhar as ferramentas que existem no merca- do e as empresas veteranas precisam aprimorar o que já têm, uma vez que esse setor recebe atualização sem- pre”, disse Roisenberg. DÉFICIT DE PROFISSIONAIS Um dos problemas que o setor de cibersegurança enfrenta é o déficit de profissionais qualificados. A or- ganização Cybersecurity Ventures estima que, até 2021, o gap será de 3,5 milhões de profissionais no segmento. Por ser um setor novo, existem poucos cursos relacio- nados, e por serem poucos, são caros. O resultado é o acesso limitado aos interessados. Além disso, a maioria dos estudantes do setor de ciber- segurança vai para o mercado financeiro. O desafio é ter um currículo que tenha especializações no digital e no setor de petróleo e gás. Mesmo com outras prioridades na educação na- cional, Paiva também afirma que o país precisa in- vestir em tecnologia. “A industrialização tardia do Brasil não pode se tornar um obstáculo para sem- pre. Não prestar atenção aos temas e demandas tec- nológicas podem fadar o país a um subdesenvolvi- mento prolongado”. n Sendo o óleo uma commodity mundial e que afeta o mercado global, todo ataque a uma empresa de petróleo é algo muito grave
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