Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019
64 Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 Armando Cavanha OPINIÃO ços, um volume de processos tecnológicos e de dados intenso, osmaiores valores de investimen- tos e custos operacionais do setor petrolífero. Adquirir, processar e interpretar os dados de geofísica e de geologia, por exemplo, logo no começo da atividade produtiva, requer técnica e espaço para bits e bytes. E velocidade, consis- tência, para entregar a ANP os dados que são armazenados por ela por força de lei. Recentemente, a ANP reescreveu os docu- mentos normativos para esta parcela de ativi- dade. Quem sabe o próximo passo seja plane- jar a Inteligência Artificial nos bancos de da- dos de Geofísica, Geologia, Fluidos e Amos- tras Físicas diversas. Não só no armazenar, guardar, dispor, mas nos processos de reservatórios, recuperação, produção, otimização. Há uma enorme chance de avanços das petroleiras e seus provedores de serviços tecnológicos, relativamente a IA. Obviamente que estas tecnologias e seus processos decisórios relacionados trazem risco, demanda por contingência, quem sabe por isto O&G tenha sido mais cauteloso em aplicar este conhecimento emsuas atividades nada simpló- rias, tanto operacionalmente como na seguran- ça industrial relacionada. No contraponto deste argumento está a redução de erros, de falhas, de inserções humanas onde há alguma lacuna de conhecimento, decisão ou ação, emque a IAes- taria cobrindo com vantagem. Os modelos de negócio deste capítuloO&G deveriam ser o máximo possível industriais, e menos corporativos. Não é com visão genérica, de profissionais apenas de escritório, eventual- mente com chavões clássicos de cursos de ino- vação disruptiva que a indústria de O&G irá se transformar. Esta TI não é a TI de microcomputadores e Windows, é dos sensores, processadores, pla- cas específicas e dedicadas, desenvolvidas nas interfaces de rochas, reservatórios, fluidos etc. A natural resistência está, em muitos mo- mentos, nos mais experientes e com vivência de campo. Sabem dos riscos, desafios, e sabem também o que são tecnologias sofisticadas, co- mo, por exemplo, aquisição geofísica, interpre- tação, logging, análise de reservatório, opera- ção de subsea, operação dos sofisticados poços atravessando o sal e contendoCO 2 . E erros nes- se campo têmmagnitudes imensas, podem fa- lir uma empresa de petróleo. Ositemedium.comdiz que InteligênciaAr- tificial é um forte mercado, com expectativa de alcançar US$ 2,85 bilhões em 2022. Atualmen- te, a América do Norte é o maior mercado de IA para O&G, seguido por Europa e Ásia-Pací- fico. Ofator comumé que IApode ajudarO&G a reduzir custos e fazer decisões mais precisas. (https://medium.com/syncedreview/how-ai- -can-help-the-oil-industry-b853dda86be6) Juntar a complexidade operacional do Ups- tream com as inovações de IA geral tem um enorme potencial, uma transformação inima- ginável que está por vir. Mas com os pés no chão, tecnologias sobre realidades e riscos do negócio, sempre com a necessária contingência operacional. O Brasil tem de recuperar terreno e deixar de apenas trocar placas importadas, fiscalizar as tampas dos equipamentos e certificar Notas Fiscais para Conteúdo Local. Temos de desen- volver “coreanamente” nossas habilidades para entender e produzir, pesquisar e desenvolver, um desafio enorme. Mas é hora de planejar e executar umplano de 20 anos sobre isto. OBra- sil merece. O Brasil tem de recuperar terreno e deixar de apenas trocar placas importadas, fiscalizar as tampas dos equipamentos e certificar Notas Fiscais para Conteúdo Local
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