Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019

Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 71 Como o Sr. compara o começo das atividades da Câmara, em 1986, com o momento atual? O início foi muito difícil, porque, na época, o Brasil era uma economia fechada e a China era muito pobre. Eu falava com os empresários brasileiros e eles retruca- vam que a China era muito longe e só falava chinês (ri- sos). Hoje, a China continua muito longe e continua fa- lando chinês, mas todo mundo quer saber da China. A Câmara se esforça muito em ajudar empresas brasileiras na China e empresas chinesas no Brasil. A nossa Câma- ra tem uma visão muito de negócios, dedicada a fazer fusões, aquisições, etc. Qual a expectativa do Sr. com relação ao novo governo? Acho que qualquer dirigente do Brasil deveria enten- der que não são suas preferências pessoais que contam. São os interesses nacionais do país que valem. São eles que pautamas amizades. AChina vem investindomaciçamen- te no Brasil, inclusive no período em que o país enfrentava sua pior crise econômica, com rating emqueda livre. E não é só isso, o comércio com a China sempre rendeu um su- perávit gigantesco para o Brasil, contribuindo para o país manter reserva em divisas de US$ 300 bilhões. Como o Sr. vê as limitações que, por exemplo, a Austrália, EUA e alguns países europeus vêm colocando contra a entra- da de capital chinês em determinados setores estratégicos? A China transformou a África, porque ela construiu in- fraestrutura que é a base do desenvolvimento e da prospe- ridade. Ruanda é um dos exemplos. Teve uma das maiores taxas de crescimento domundo e foi umdos lugares onde a China investiumaciçamente. Cada nação temque decidir o que quer. Se quer prosperidade e capital, geração de riquezas e emprego ou não. Só no “Cinturão e Rota” (projeto interna- cional do governo chinês para desenvolvimento estratégico, envolvendo infraestrutura e investimentos) para ligar a Chi- na e Europa, por via marítima e terrestre, o país chinês in- vestirámais de US$ 1 trilhão e beneficiarámais de 65 países. Tem muita gente querendo riqueza e a China tem capital e pode ir para onde ela quiser. Além do setor de energia, em quais áreas está havendo um maior intercâmbio comercial? A China tem interesse, dentro do programa de pri- vatização do governo brasileiro, em comprar as em- presas que serão desestatizadas. O Brasil é um país es- tratégico e a China quer continuar investindo no país, mas também não vai investir onde ela não é bem-vinda. Uma década atrás eram os grandes investimentos em petróleo e gás, que ajudaram a fechar as contas do go- verno Dilma Rousseff. Foi quando as empresas chinesas arremataram o Campo de Libra, juntamente com Pe- trobras e Shell. Há dois anos, a venda das hidrelétricas fechou as contas do governo Temer. Os investimentos chineses, então, têm sido benéficos ao Brasil. Na área de energia elétrica, em especial, há interesse de mais companhias chinesas em investir no Brasil? Sem dúvida. Existem mais seis gigantes interessadas em vir para cá. Quem está no Brasil, todo mundo co- nhece, como a State Grid, CTG e, mas recentemente, a SPIC. Depois, veio a Shangai Electric que iria comprar um projeto de construção de mais 1 mil km de linhas de transmissão da Eletrosul, no Rio Grande do Sul. Entre as empresas de energia que estão interessadas no Brasil, poderia citar algumas delas? A maior geradora da China, que, sozinha, tem 161 GW, enquanto o Brasil possui algo em torno de 140 GW [pela descrição, poderia ser o Shenshua Group]. Além disso, três anos atrás, o presidente da segunda maior geradora chinesa veio ao Brasil para analisar um projeto de termelétrica a GNL e uma hidrelétri- ca. Só essa empresa tem 128 GW. Então, tem a primei- ra maior que quer vir ao Brasil, além de outras duas grandes chinesas interessadas em vir ao Brasil. Por en- quanto, estamos esboçando alguns projetos para essas empresas interessadas. Na área de O&G, qual o interesse das empresas chinesas, considerando que há um ensaio para retomada da explora- ção e produção? Os investimentos de qualquer país, não só os dos chineses, são benéficos ao Brasil. Mobiliza a economia e gera riqueza. Temos interesse na área de exploração e produção. Levar o petróleo para a China, comprar do Brasil. Mas em distribuição também. A Petrochina, por exemplo, acaba de comprar 3 mil postos de abasteci- mento de combustível da Total. A CNPC (Corporação Nacional de Petróleo da China), por exemplo, está in-

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