Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019

74 Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 Alessandra Amaral OPINIÃO postura do consumidor. O mundo viven- cia a Quarta Revolução Industrial, na qual a transformação digital lidera mudanças sem precedentes na economia e na vida das pes- soas. No contexto do setor, surge um cliente conectado e interessado em gerar a sua ele- tricidade e fazer escolhas que valorizem a energia limpa. Assim, surgiu o termo “pro- sumer”, aquele que produz e consome sua energia. Esta revolução, que parte de um cliente mais empoderado e digital, requer a rein- venção de todos os elos que compõem a cadeia do setor. Diante dessas mudanças, o modelo de comercialização vem sendo revisto. Para 2019, há diversos desafios a serem vencidos no sentido de garantir o de- senvolvimento do mercado com flui- dez e sustentabilidade. Dado que o mercado livre representa 30% do SIN, é preciso criar condições de financiabilidade para projetos de geração voltados para este mercado. Para tanto, é necessária a identificação de suas carac- terísticas específicas em relação a prazos contratuais e liquidez. Outro ponto importante é o reconhe- cimento do papel desempenhado pe- las comercializadoras. Como trabalham com um grande grupo de fornecedores e clientes, e existe uma clara complemen- taridade entre as fontes e usos, as comer- cializadoras compõem um fundamental colchão de risco ao comprar energia de geradores e vender para consumidores, de acordo com as características de sazo- nalização e riscos de geração e consumo de cada agente. O Projeto de Lei 1917, em tramitação no Congresso Nacional, traz medidas que objetivam adequar o modelo de comercia- lização à atual realidade do mercado, tais como a separação do lastro de energia, a introdução do preço horário e a redução gradativa dos limites exigidos para a mi- gração para o mercado livre. A alteração dos limites para a migra- ção para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), recentemente instituída pela Porta- ria 514, foi um primeiro, ainda que tímido, avanço neste sentido. Passados bem mais de uma década do modelo de comerciali- zação, esperamos que seja apenas o come- ço e que as demais alterações, tão necessá- rias para a boa evolução do mercado, ocor- ram ao longo de 2019. 1 PDE 2027, publicado pela EPE. 2 Fonte: CCEE – Infomercado Mensal, atuali- zado em 11/01/2019. É preciso criar condições de financiabilidade para projetos de geração voltados para o mercado livre

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