Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
52 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 DISTRIBUIÇÃO A 170 km de Curitiba, em Ipiranga, município do Paraná movido a agro- negócio, os cerca de cin- co mil clientes da Copel Distribui- ção terão à mão – literalmente – al- go que pode mudar a forma como usam eletricidade. Isto porque, em breve, poderão, via aplicativo de ce- lular, acompanhar detalhadamen- te dados de consumo de energia e, assim, controlar seus gastos, entre outras funcionalidades, incluindo atendimento comercial. Por mais impressionante que ainda possa parecer, esse benefí- cio já está, aos poucos, se tornan- do básico para milhares de clientes de várias companhias brasileiras de distribuição, que antes precisavam perder tempo precioso em deslo- camentos a agências físicas ou em longas ligações telefônicas. Esse é um dos resultados mais visíveis e práticos do complexo tra- balho que vem movimentando to- das as concessionárias há, pelo me- nos, mais de uma década, e que deve transformar radicalmente o negócio de distribuição de ener- gia mais adiante, conforme prevê o consultor Cyro Bocuzzi, um dos pioneiros nesse assunto. “O planeta vive uma era de ace- leração tecnológica. De repente, quando todo mundo se dá conta, está vivendo uma nova realidade. A digitalização e recursos de inteli- gência artificial estão avançando si- lenciosamente no dia a dia das pes- soas”, aponta. No caso da pequena e pacata Ipi- ranga, para se ter uma ideia, já há mais inovação e modernidade apli- cadas à rede elétrica do que em boa parte dos bairros de classe média al- ta da cidade de São Paulo. Todos os clientes lá já contam com medição eletrônica de consumo e, no caso de interrupção no fornecimento de energia, a própria rede é capaz, em boa parte dos casos, de retomar so- zinha a operação normal – recurso conhecido como self healing . Isso evi- ta custosos deslocamentos de equi- pes de eletricistas para procurar e re- solver problemas em quilômetros de fiação e centenas de equipamentos. Este, claro, é um projeto-piloto da Copel Distribuição, que envol- ve investimento de R$ 10 milhões. Ele tem servido de parâmetro expe- rimental para um projeto bemmais ambicioso. A empresa está prestes a dar início à instalação de medido- res eletrônicos em 130 mil unida- des consumidoras no município de São José dos Pinhais, na região Me- tropolitana de Curitiba. Para tanto, a companhia estima desembolsar R$ 115 milhões. Julio Omori, superintendente de Smart Grid e Projetos Especiais da Copel, chama a atenção para a impor- tância da escala em empreitadas en- volvendo redes inteligentes. “No caso de Ipiranga o custo de instalação ficou emR$ 1.200 por unidade consumido- ra, ao passo que em São José dos Pi- nhais sairá por R$ 625”, compara. Em paralelo, na EDP Brasil - que tem áreas de concessão em São Paulo e Espírito Santo -, os planos não são menos agressivos, porque o grupo, de origem portuguesa, vem trazen- do experiência adquirida em iniciati- vas desenvolvidas na Europa, onde a busca por modernidade está bastante adiantada. O grupo quer colocar em pé - sem custo revelado - um projeto de smart grid comescala aindamaior que o da Copel. A ideia é implantar mais de ummilhão de medidores in- INOVAR É PRECISO Na esteira da aceleração tecnológica, distribuidoras encontram soluções inovadoras para sobrevivência e manter o valor da atividade ANTONIO CARLOS SIL
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