Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

64 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 BIOCOMBUSTÍVEIS U ma nova fronteira da pro- dução nacional de etanol a partir do milho tem gran- de potencial de expandir a cogeração de energia a cavaco de eucalipto, resíduos florestais e de serraria e ainda de outras biomas- sas promissoras, como o bambu e o capim brachiaria. Isso por conta da natureza das usinas de etanol de milho, que aproveitam todos os re- síduos (farelo) e a vinhaça da desti- lação para coproduzir a proteína de milho (DDG), de alto valor agrega- do, como ração animal. O aprovei- tamento deixa as usinas sem bio- massa residual para cogerar eletri- cidade e vapor necessários para a produção, ao contrário das sucro- energéticas, que baseiam a cogera- ção no bagaço da cana. A oportunidade está se mate- rializando por conta dos grandes investimentos em curso no Mato Grosso, estado que lidera a nova tendência por ser o maior produtor de milho do país, com 30 milhões de t/ano das cerca de 90 milhões de toneladas nacionais, sendo respon- sável por cinco das 10 usinas de eta- nol de milho já em operação. É no Mato Grosso onde há tam- bém, desde 2017, a primeira uni- dade full do Brasil, ou seja, que só produz etanol com o milho; ao contrário das demais, batizadas de flex, por também utilizarem a ro- ta tradicional com cana-de-açú- car. Com a projeção da União Na- cional do Etanol de Milho (Unem), de que 12 usinas deste tipo estarão operando no país até 2028, haverá a crescente necessidade de cogeração nova a partir de biomassa de ma- deira plantada ou residual, para ga- rantia de eletricidade e vapor para as operações. O cenário deve replicar o mode- lo de cogeração similar ao da usina, da FS Bioenergia, localizada em Lu- cas do Rio Verde. A planta, duplica- da no começo de 2019 para produ- zir 530 milhões de litros/ano de eta- nol, utiliza biomassa de cavacos de eucalipto plantados por parceiros próximos à unidade, além de resí- duos agrícolas e florestais. Com du- as turbinas de contrapressão, cada uma com potência de 18 MW, em 2018, a planta gerou próximo de 156 mil MWh, consumiu 122 mil MWh e vendeu a energia exceden- te no mercado livre. Após a duplica- ção, a expectativa é que, em 2019, o consumo seja mantido e o exceden- te a ser exportado ultrapasse os 150 mil MWh, segundo revelou Rafael Abud, CEO da FS Bioenergia. Com mais investimentos em curso e planejados, a FS Bioenergia, joint-venture entre o grupo brasi- leiro Tapajós e o norte-americano Summit Agricultural Group, está fomentando a plantação de uma floresta de eucalipto de 45 mil hec- tares nas regiões de seus projetos. O plano visa garantir energia para o ano todo, tendo em vista que su- as usinas de etanol também rodam sem intervalo, dada a facilidade de estocagem de milho nos períodos de entressafra. A empresa adquire milho de fazendas vizinhas. Já no segundo semestre, entra em operação a segunda usina de etanol de milho da FS Bioenergia em Sorriso (MT), com capacida- de inicial de 265 milhões de litros/ ano, que depois será duplicada pa- ra os mesmos 530 milhões de litros A oportunidade está se materializando por conta dos grandes investimentos em curso no Mato Grosso

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