Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
66 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 BIOCOMBUSTÍVEIS ra o modelo flex, para aproveitar a abundância e o baixo preço do mi- lho no estado, outras usinas antes apenas na cana-de-açúcar – a Libra, em São José do Rio Claro (MT), e a Usina Porto Seguro, de Jaciara (MT) – e foi erguida uma pequena usina apenas de etanol de milho em Sorriso, a Safras Biocombustíveis. Na segunda colocação dos merca- dos, destaca-se Goiás, também pro- dutor de milho, com três usinas flex, seguida por uma pequena usi- na em São Paulo (com uso não pa- ra combustível) e outra no Paraná. Apesar de hoje a maior parte das usinas serem flex, a tendência, segun- do Tomczyk, é de mais projetos inte- grais, apenas commilho, e agregando os coprodutos do milho e a cogera- ção.A imensamaioria dos projetos se dará no Mato Grosso, mas também emGoiás, outro produtor importan- te de grãos que também atrai o inte- resse dos investidores. Pesa muito a favor dessa ten- dência o fato de que, a partir de 2016, a gasolina deixou de ter o preço artificialmente controlado pelo governo, o que trouxe segu- rança para grandes investidores co- mo a FS Bioenergia. Não à toa, já há pelo menos um grande grupo com planejamento e obras em execução nessa área, caso da paraguaia Inpa- sa. A empresa está instalando uma usina full em Sinop (MT), com ca- pacidade para 525 milhões de li- tros/ano de etanol e previsão de en- trar em operação em julho. O mes- mo grupo paraguaio também se as- sociou, em março, com a brasileira O+ Participações para erguer outra usina de etanol de milho em Nova Mutum (MT). A meta é atingir a produção de 800 milhões de litros/ ano, tendo como diferencial usar na cogeração de energia a biomassa de capim brachiaria, plantado em áreas de lavoura e de pasto degra- dado da própria empresa. O previs- to é a usina entrar em operação no segundo semestre de 2020. Segundo o presidente da Unem, as usinas sucroenergéti- cas no Mato Grosso e também em Goiás, nos projetos de inves- timento flex, tendem a deslocar a produção do etanol apenas a par- tir de milho e focar a cana para produção de açúcar, aproveitando o bagaço para a cogeração. Há no momento implantação de usinas flex nesses modelos em Campo Novo do Parecis (MT) e em Cha- padão do Céu (GO). Com alta viabilidade, por agre- gar valor ao etanol com a ração ani- mal (DDG), cuja demanda atual é maior do que a oferta, além do óleo de milho e da energia excedente, a previsão é de, até 2028, o mercado ser formado por 12 usinas full e oi- to flex, segundo Tomczyk. Em 2018, segundo a Unem, fo- ram produzidos 840 milhões de li- tros de etanol de milho no Brasil, sendo 660 milhões de litros no Ma- to Grosso. A previsão para 2019 é a produção pular para 1,45 bilhão de litros, com 1,1 bilhão provenien- tes das usinas do estado mato-gros- sense. Em 2020, o volume sobe para 2,6 bilhões, com 2,2 bilhões do MT, daí em um crescente até chegar aos 8 bilhões de litros projetados para 2028. Para atender essa produção, em- bora sem poder calcular os hectares necessários, continua Tomczyk, o horizonte sinaliza para muitas flo- restas de eucalipto, além de opera- ções logísticas para aproveitar cava- cos de serraria e desenvolvimentos para suprir de combustível renová- vel as caldeiras das unidades de co- geração de energia. n sistema de produção de uma usina de etanol de milho Fazenda de Eucalipto CHP Veículos Refino Rede elétrica Alimentação animal Fazenda de milho Planta de etanol 464 kg cavaco 151kwh 430 litros 363 kg 13 kg eletricidade eletricidade etanol ddgs óleo Vapor 1000 kg milho Fonte: FS Bioenergia
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