Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 71 pela sustentação dos risers híbri- dos (FSHR). A experiência pro- porcionou o aperfeiçoamento de processos construtivos e ampliou seu conhecimento sobre a Bacia de Santos. “Lula representou um impor- tante marco para a empresa e toda a indústria nacional, uma vez que foi o primeiro projeto dessa natu- reza para o qual todos os equipa- mentos subsea foram fabricados no país, no nosso Centro de Tec- nologia e Construção Offshore, em Guarujá (SP)”, declarou a compa- nhia em nota. Já a SBM Offshore, que fez a en- genharia e construção dos FPSOs Cidade de Paraty, Cidade de Mari- cá e Cidade de Saquarema, afirma que os projetos que entregou para Lula são as suas unidades de maior complexidade atualmente operan- do no mundo, devido à produção rica em gás associado e contami- nantes da área. Um dos aspectos que cha- mam atenção nessas plataformas é o peso dos topsides, da ordem de 24 mil t, mais que o dobro da faixa média de peso dos projetos anteriores, de aproximadamente 11 mil t. Por isso, um dos desa- fios da engenharia foi a conversão dos cascos para acomodar tanto peso, além da busca de soluções otimizadas e mais inteligentes no design de módulos mais compac- tos, visando manter os padrões de operabilidade e segurança. “Todo o conhecimento adqui- rido na elaboração dessas solu- ções foi empregado no design de outros projetos do pré-sal brasi- leiro e no mundo”, explica Rafa- el Torres, diretor de Desenvolvi- mento de Negócios da SBM. n Sediada emLondres, a Subsea 7 teve atuaçãomarcante no desenvolvimento do campo de Lula. Seu vice-presidente de Sales &Marketing, Paulo CesarMartins, e o gerente Sênior de Tecnologia da empresa, IvanCruz, conversaramcoma Brasil Energia sobre a experiência. Qual foi a importância do projeto de Lula no portfólio da Subsea 7? Ivan Cruz: Lula foi extremamente importante para a companhia, mantendo um grande efetivo e vários ativos navais da Subsea 7 Brasil ocupados por mais de três anos. Estivemos presentes em diferentes fases: na definição conceitual; no projeto, construção, instalação e testes dos sistemas de risers desacoplados; na instalação dos jumpers flexíveis atra- vés de nossos PLSVs e na instalação do riser de exportação de Lula NE, no qual usamos o PLSV Seven Seas. Quais soluções tecnológicas a companhia desenvolveu para o campo? Ivan Cruz: Para o sistema piloto de produção de Lula-NE foi emprega- da, pela primeira vez, a solução da Boia de Sustentação de Risers (BSR), sistema que incorporou cinco grandes inovações tecnológicas, que rece- beram, em 2015, os prêmios de “Achievement Award” da OTC Brasil e de Tecnologia da ANP. O sistema permite desacoplar as solicitações di- nâmicas do ambiente sobre os risers rígidos, garantindo um tempo de vida ao projeto adequado ao ambiente inóspito e às condições de pro- dução severas, como a agressividade do óleo produzido. A solução já foi replicada em outro campo? Ivan Cruz: Hoje temos um volume considerável da produção total do pré-sal produzidos através de quatro sistemas BSRs, dois atendendo ao campo de Sapinhoá e dois ao campo de Lula NE. A empresa pretende participar futuramente de novas licitações para pres- tar serviços em Lula? Paulo Cesar Martins: Temos todo interesse de apoiar a Petrobras e ou- tros parceiros e operadoras neste e nos demais campos, pois temos tec- nologia, recursos e experiência para agregar valor no desenvolvimento ou manutenção dessas áreas. O sucesso dos projetos não está somente na instalação, mas também na garantia de integridade destes sistemas ao longo de toda a vida útil. O que as operadoras devem ter em mente ao contratar serviços em projetos complexos como Lula? Paulo Cesar Martins: É importante que haja engajamento o mais ce- do possível com os clientes, para que tenhamos a chance de trabalhar em alternativas otimizadas. Podemos discutir, por exemplo, soluções de projetos integrados através da Subsea Integration Alliance, nossa aliança com a OneSubsea Schlumberger. Entrevista Paulo Cesar Martins e Ivan Cruz
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