Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
70 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 PETRÓLEO A importância da área para o portfólio da portuguesa pode ser traduzida em números: em 2010, ano em que a primeira plataforma definitiva de Lula começou a ope- rar, a produção brasileira da Galp era de 1,7 mil boed e a produção global (working interest) estava em 19,5 mil boed. Oito anos depois, a companhia já extraía 99,1 mil boed no Brasil e 107,3 mil boed no mun- do. Hoje, a companhia já é a tercei- ra maior produtora no Brasil, país que responde por 92% de sua pro- dução global. DESAFIOS Para colocar os projetos de pé, o consórcio operador da área, for- mado por Petrobras (65%), Shell (25%) e Petrogal (10%), enfren- tou dificuldades inéditas, princi- palmente por conta das especi- ficidades do óleo do pré-sal, que tem forte presença de CO 2 , além de alta razão gás-óleo, o que exi- ge maior capacidade de processa- mento de gás. Lula exigiu o desenvolvimento de tecnologias de separação de CO 2 associado ao gás natural em águas ultraprofundas com injeção do gás em reservatórios de produção, mé- todo que ajuda a dar uma destina- ção ao CO 2 produzido e amplia o fator de recuperação. Foi também em Lula que ocorreu o primeiro uso intensivo de completação in- teligente em águas ultraprofundas em poços satélites. Os poços do ativo são conecta- dos por meio de dutos flexíveis e umbilicais de controle, ligados di- retamente às plataformas ou pas- sando por manifolds submari- nos. No caso de Lula Nordeste, por exemplo, foi utilizado um layout subsea pioneiro, com o uso de boias de sustentação de risers (BSR). Outras tecnologias também contemplaram a aplicação do mé- todo alternado de injeção de água e gás em águas ultraprofundas, o uso de risers rígidos em catenária com- posto por tubos com liner, insta- lados pelo método de lançamento Reel-Lay, e de linhas flexíveis em lâ- mina d’água ultraprofunda. Com tantas inovações, Lula foi o laboratório de nove das dez tec- nologias que renderam à Petrobras o prêmio Distinguished Achieve- ment Award da OTC em 2015. “A aplicação dessas tecnologias no campo de Lula representou um grande marco no desenvolvimento do pré-sal, dado seu ineditismo na indústria offshore”, ressaltou a es- tatal em comunicado. O projeto também superou bar- reiras técnicas, como a maior lâ- mina d’água na perfuração de um poço submarino com a técni- ca de pressurized mud cap drilling (PMCD), num total de 2,103 mil m, além de ter o mais profun- do poço submarino de injeção de gás com CO 2 , em lâmina d’água de 2,2 mil m. FORNECEDORES Lula não foi um divisor de águas apenas para as operadoras, mas pa- ra os prestadores de serviço que participaram do empreendimento. A italiana Saipem, responsá- vel pela instalação de equipamen- tos submarinos do campo, relata que uma das conquistas foram as dimensões alcançadas pelos tan- ques de flutuação responsáveis 0K 200K 400K 600K 800K 1000K Lula Sapinhoá Jubarte Marlim Búzios Mero Marlim Leste Baleia Franca Baleia Azul Lapa Barracuda Sul de Lula Caratinga Sudoeste de Sapinhoá Noroeste de Sapinhoa Voador Nordeste de Sapinhoá Pirambu Outros Campos Produção dos campos do pré-sal Petróleo (b/d) Gás natural (boed) Fonte: Elaborado pela Brasil Energia com base em dados da ANP (Fev/2019) Obs.: inclui produção do pós-sal Produção dos campos do pré-sal
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