Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 77 O setor de óleo e gás é mun- dialmente reconhecido por romper barreiras tecnoló- gicas. Hoje, diante da ne- cessidade de explorar e produzir re- cursos em ambientes cada vez mais inóspitos e maximizar a recupera- ção de reservas com custo reduzi- do, petroleiras e fornecedores mer- gulham na chamada “indústria 4.0” para acelerar a aplicação de ferra- mentas digitais. No Brasil, o pré-sal tem sido a grande mola propulsora da inova- ção. Principal operadora dos ativos localizados na província, a Petrobras encabeça a lista dos investimentos locais em pesquisa, desenvolvimen- to e inovação (PD&I), com R$ 2,3 bilhões aportados em 2018 – alta de 28% ante o ano anterior. “Temos de investir [em PD&I] pelo menos 1% da receita bruta da concessão dos campos com al- ta produtividade. Como a previsão para os próximos anos é de aumen- to de produção, o investimento será crescente”, afirma Orlando Ribei- ro, gerente-executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). A atenção destinada à inovação tecnológica viabilizou a descoberta e o desenvolvimento de ativos em águas profundas e ultraprofundas e alçou a petroleira ao posto de com- panhia com maior número de pa- tentes no Brasil, com 1,5 mil paten- tes ativas no país e no exterior. Em 2018, foram feitos 58 novos pedi- dos nacionais e 22 internacionais. Muitos desses projetos resulta- ram em soluções que poupam dia- riamente os bolsos da estatal. A utili- zação de robôs para pintura em pla- taformas, por exemplo, vem gerando redução de custo de R$ 350 mil por ano por FPSO, além de diminuir em 84% a duração do serviço e em 88% a exposição humana ao risco. Outro caso emblemático é o uso de drones para inspeção do flare da plataforma P-62, no campo de Ron- cador, que gera economia de US$ 2,85 milhões/dia ao evitar paradas não programadas na plataforma. Atualmente, cerca de 30% dos projetos da carteira tecnológica do Cenpes contemplam elementos da transformação digital. Uma das so- luções desenvolvidas é o PWDA (Pressure While Drilling Analysis), que monitora os níveis de pressão durante as atividades de perfuração, enquanto um algoritmo interpreta as informações e dispara alertas so- bre possíveis problemas operacio- nais. A Petrobras calcula que, desde 2014, o uso da solução de inteligên- cia artificial evitou perdas de aproxi- madamente US$ 100 milhões. Augusto Borella, gerente geral de Transformação Digital da esta- tal, explica que a digitalização po- de ser adotada em todos os seto- res, mas em ritmo diferenciado. “Há ambientes que exigem forte discipli- na e controle para garantir a segu- rança operacional. A transformação digital está apoiando diferentes áre- as para que consigam responder lo- calmente aos seus desafios.” Outro programa inovador da Petrobras é o Libra Digital, lança- do em 2017 para melhorar o con- trole dos fluxos de dados gerados nos campos e orientar tomadas de decisão. Além de inteligência arti- ficial, a iniciativa contempla a apli- cação da ferramenta Digital Twin, que consiste numa réplica virtual de instalações offshore, simulando cenários e antecipando soluções. Óculos virtuais criados pela Equinor serão usados no campo de Peregrino, na Bacia de Campos Ole-Jørgen-Bratland
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