Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
78 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 TECNOLOGIA ÓCULOS “FUTURISTAS” NA BACIA DE CAMPOS Com um portfólio cada vez maior no Brasil, a Equinor busca replicar no país soluções digitais utilizadas em suas operações no Mar do Norte. Entre elas estão óculos de colabo- ração virtual remota, que devem co- meçar a ser usados no próximo se- mestre no campo de Peregrino, na Bacia de Campos. O aparelho possui câmeras e ferramentas colaborativas de realidade virtual e aumentada que permitem a um especialista em terra orientar profissionais embarcados a desempenhar diferentes atividades. “Com as ferramentas implan- tadas nos óculos, a necessidade de embarque será mínima. Temos re- dução de custo, de CO2 em relação ao transporte de pessoas e de tem- po”, destaca Anderson Marinho Li- ma, chefe de Digitalização da Equi- nor Brasil. Desde 2009, a Equinor investiu cerca de R$ 130 milhões em PD&I no país. Em 2018, os investimentos obrigatórios ficaram em torno de R$ 54 milhões. ANÁLISE PREDITIVA E ROBÔS AUTÔNOMOS Operadora estrangeira com maior produção de óleo e gás no país, a Shell também investe em novas soluções para reduzir riscos e aumentar a competitividade. “A tecnologia digital está se tornando mais barata e rápida, a quantidade de dados aumenta ex- ponencialmente, e isso traz mais oportunidades para as empresas. Nós a utilizamos para criar vanta- gem competitiva”, observa Adriana Moreira, chefe de Tecnologia da In- formação da Shell Brasil. Na Bacia de Campos, a compa- nhia anglo-holandesa utiliza uma ferramenta automatizada que plane- ja, simula e otimiza o alívio de óleo das operações. Entre outras apostas estão a análise preditiva de dados pa- ra identificar desvios de operação em equipamentos submarinos e a utili- zação de robôs autônomos para atu- ar em locais inacessíveis ao homem. IMPACTO NA CADEIA DE SERVIÇOS A acelerada demanda por novas soluções impacta diretamente for- necedores de bens e serviços, que precisam se manter na dianteira tecnológica para disputar grandes contratos em um mercado exigente e concorrido como o offshore. A brasileira Ocyan, por exem- plo, monitora em tempo real suas seis sondas de perfuração com um sistema baseado em ferramentas como data analytics, inteligência artificial e machine learning. Já a alemã Siemens desenvolveu um software que cria, virtualmen- te, um FPSO, desde a concepção do projeto às fases de construção e operação. A empresa também criou um sistema de automação de equi- pamentos de unidades offshore que permite operação 100% remota. ESTÍMULO À INOVAÇÃO Em 2018, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocom- bustíveis (IBP) criou um comitê de inovação digital para alavancar pro- jetos, trocar informações e conheci- mento. O grupo é formado por exe- cutivos focados na digitalização das principais operadoras no país. Um dos desafios, hoje, é mos- trar à alta direção das companhias o quanto a transformação digital pode alavancar o negócio e como isso vai além da implantação de ferramentas. “É um processo de mudança, de pla- nejamento do negócio, mais do que simplesmente incorporar uma nova tecnologia”, observa Daniel Michilini Carocha, coordenador da Comissão de Indústria 4.0 do IBP. n Especialista da Shell: petroleira investe em novas soluções para reduzir riscos e aumentar a competitividade
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