Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
80 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 HIDRO A sequência de rompimen- tos de barragens de rejei- tos minerais e suas reper- cussões ambientais, para além das tragédias humanas, acen- deram o sinal de alerta dos espe- cialistas que monitoram a bacia do rio São Francisco. Isto porque, caso ocorra um acidente no rio nas pro- porções do que ocorreu com o rio Doce, em novembro de 2015, não há plano B para quem depende ex- clusivamente do São Francisco. A preocupação faz sentido. Maior curso d’água exclusivamen- te brasileiro, o São Francisco pos- sui 2.700 km de extensão e une as regiões Sudeste e Nordeste do Bra- sil, atravessando de sul para norte os estados de Minas Gerais e Bahia, a partir da Serra da Canastra (MG), voltando-se para leste na divisa en- tre Bahia e Pernambuco, até desa- guar no oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe. O rio praticamente viabiliza a vida no semi-árido brasileiro. Se- gundo dados do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), 58% das terras do cha- mado polígono das secas são ba- nhadas pela bacia do São Francisco que, com seus 639.219 km², é qua- se do tamanho da França (643.801 km²). Dos 521 municípios que fa- zem parte da bacia, 270 estão lo- calizados nessa área de baixíssima pluviosidade, commédias extremas de 350 mm anuais nos municípios baianos de Paulo Afonso e Sento Sé. Dado mais recente divulgado pe- lo Ministério de Meio Ambiente in- dica que a água do São Francisco abastece 13 milhões de pessoas. Is- so antes da entrada em operação da transposição do rio para o Nordes- te Setentrional, restrita ao Eixo Leste que parte do reservatório da hidrelé- trica de Luiz Gonzaga, em Petrolân- dia (PE). Quando o Eixo Norte, que vai de Cabrobó, em Pernambuco, ao Ceará e Rio Grande do Norte, entrar em operação, prevista para maio deste ano, mais 12 milhões de pes- soas devem ser beneficiadas. “Se o rio São Francisco sofrer um acidente nas proporções do que ocorreu com o rio Doce, o Brasil quebra ao meio. Não há ‘plano B’ para o São Francisco”, alerta Anival- do Miranda, presidente do CBHSF. Segundo ele, somente para Ara- caju e vizinhança, o São Francisco fornece água, captada do reserva- tório da hidrelétrica de Xingó, pa- ra cerca de ummilhão de pessoas, o que dá a dimensão do risco do que ocorreria se acontecesse uma tragé- dia semelhante à que se abateu so- bre o rio Doce. O presidente do CBHSF ressal- ta ainda a importância para o se- mi-arido dos projetos de irrigação com água do rio. O projeto Jaíba, na região próxima a Montes Claros SEM PLANO B PARA O RIO SÃO FRANCISCO Rompimento de barragem de rejeito em Brumadinho acende alerta sobre as possíveis consequências caso a lama chegue ao rio CHICO SANTOS
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