Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 81 (MG), opera com vazão de 65 m³/s; e os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), onde se desenvol- veu um dos principais polos de fru- ticultura do Brasil, são o quinto e o sétimo maiores captadores de água do país, tendo a irrigação como ob- jetivo principal. MEDIÇÕES DIVERGENTES Desde o dia da tragédia de Bru- madinho, paralelamente à busca por sobreviventes, um minucioso monitoramento da lama de rejeitos no leito do Paraopeba, um dos prin- cipais afluentes da margem direita do São Francisco, vem sendo feito. As conclusões, no entanto, têm si- do divergentes entre os principais ór- gãos públicos envolvidos no trabalho e órgãos independentes. A conclusão geral é que, até o momento, “não fo- ram observadas alterações na quali- dade das águas ou impacto sobre a biodiversidade que indiquem a ex- tinção da vida no rio Paraopeba ou a contaminação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias pela pluma de rejeitos originados do rompimento da barragem B1 da Va- le”, diz o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) por meio de nota de esclarecimento. Por enquanto, a lama está conti- da no remanso da barragem da hi- drelétrica de Retiro Baixo, no Para- opeba, a 310 km do local do desas- tre de Brumadinho, ou seja, a cerca de 30 km de Três Marias. A Fundação SOS Mata Atlânti- ca, entretanto, sustenta que conta- minantes de Brumadinho já chega- ram a Três Marias. Segundo Malu Ribeiro, coordenadora do progra- ma Rede das Águas da instituição, coletas feitas em nove pontos do reservatório, entre o município de Felixlândia e a localidade de Portos das Melancias, constatam presen- ças além dos limites máximos tole- ráveis de ferro, manganês, cobre e cromo. As divergências nas conclusões dos estudos se referem à metodo- logia utilizada pelos órgãos oficiais e pelas consultorias independentes. Enquanto as medições dos órgãos oficiais são feitas em lâmina d’água superficial, os da SOS Mata Atlân- tica são coletados entre um metro e meio e dois metros de profundi- dade. Os horários de captação tam- bém podem influenciar nos resul- tados das medições realizadas. No entanto, ainda que a lama de Brumadinho não venha a con- taminar significativamente o São Francisco, o importante é o alerta que a tragédia trouxe. “Se Bruma- dinho não vai comprometer [o São Francisco], há muitas outras barra- gens de rejeitos em outros afluentes do rio que seguem trazendo peri- go e que exigem todos os cuidados”, conclui Miranda. n

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