Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

84 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 HIDRELÉTRICA distância dos equipamentos, evitan- do vistorias em campo. Com a redução no tempo de pa- rada, houve também aumento da disponibilidade das usinas operadas pela empresa. Em 2015, a disponibi- lidade média das unidades gerado- ras era de 95,75%; no ano passado, esse nível passou para 97,23%. RETROFIT DE USINAS Os sistemas de gestão de ati- vos também são úteis para empre- sas detentoras de empreendimen- tos que já enfrentam obsolescência, como usinas antigas que precisam passar por retrofit. Segundo estudo realizado pela CTG Brasil, 60% das usinas hidrelétricas brasileiras têm mais de 40 anos de operação. O le- vantamento foi feito com base nos dados da Aneel e do ONS e serviu de base para o projeto de moder- nização das usinas adquiridas pela empresa chinesa no Brasil. A CTG adquiriu as concessões das hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, na bacia do Rio Paraná, em leilão promovido pelo governo em novembro de 2015, com uma ou- torga de R$ 13,8 bilhões e prazo de concessão de 30 anos. Com capacidade para gerar 3.444 MW, Ilha Solteira completou, no ano passado, 45 anos de operação; já Ju- piá possui 1.551 MW e 50 anos de operação. As duas usinas, que so- mam 4.995 MW e estão localizadas na divisa de São Paulo eMato Grosso do Sul, são as primeiras a passar pelo processo de modernização, que co- meçou há um ano e meio, dentro da CTG Brasil. O projeto prevê a substi- tuição das 34 unidades geradoras nos próximos dez anos, com investimen- to de R$ 3 bilhões. “O projeto de modernização possui uma complexidade ímpar, até maior do que a construção de uma nova barragem. É como refor- mar uma casa morando nela”, com- para Evandro Vasconcelos, vice-pre- sidente de Geração da CTG Brasil. Cada etapa prevê a parada de dois equipamentos em cada usina, com redução de 10% na capacida- de geradora do empreendimento. A primeira fase do projeto, já conclu- ída, envolveu a modernização de quatro unidades geradoras - duas de cada usina - e absorveu R$ 300 milhões em investimentos. Essa etapa incluiu ainda a modernização dos equipamentos de levantamento e melhorias nos sistemas auxiliares. Já a segunda fase, que terá in- vestimentos de R$ 700 milhões, te- ve início neste mês, com o desco- missionamento da turbina nº 10 de Jupiá e a modernização dos equipa- mentos de levantamento da usina. No total, esta etapa prevê a moder- nização de oito unidades gerado- ras, sendo quatro de Jupiá e qua- tro de Ilha Solteira. Além disso, te- rá início as obras para a construção do novo centro de operações da ge- ração, completamente automatiza- do, o que vai permitir a integração e padronização dos procedimentos na pré-operação, no despacho em tempo real e na pós-operação. Os investimentos para a construção do centro estão estimados em R$ 40 milhões do total previsto para esta fase do projeto. Cerca de 300 pessoas estão en- volvidas no projeto de moderni- zação, incluindo dez engenheiros chineses que possuem experiên- cia na operação das máquinas no- vas. Além da troca de máquinas, o projeto prevê ainda melhorias nos sistemas de monitoramento das barragens, com instalação de sensores automatizados. Ao final do processo, a compa- nhia espera obter, com a moderniza- ção das duas hidrelétricas, ganhos de disponibilidade, reduzindo a quanti- dade de paradas forçadas e dos tem- pos de parada para manutenção. “O objetivo é que esse projeto sirva de referência para o setor elétrico brasi- leiro e ter umprojeto de gestão de ati- vos integrado à operação das usinas é importante”, afirma. Para isso, a em- presa pretende buscar a certificação ISO 55001 neste ano. Também está nos planos da CTG para 2019 lançar a licitação para o projeto de modernização da hidrelétrica de Rosana, no Pontal do Paranapanema, em operação há 31 anos. n Colaborou Chico Santos Sistemas de gestão de ativos são úteis para empresas que possuem usinas antigas e que precisam passar por retrofit

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