Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 83 das nas unidades geradoras. Entre 2015 e 2017, a redução de despesas operacionais foi de 13%, ao mesmo tempo em que a empresa reduziu a zero os acidentes graves de traba- lho. “Nossos indicadores de falha são referência na América Latina, com um número de máquinas pa- radas por falha próximo de zero”, diz Anderson Oliveira, diretor de operações da AES Tietê. Outro exemplo é o complexo Alto Sertão II, na Bahia, o primei- ro empreendimento eólico da em- presa. Quando assumiu a operação, em agosto de 2017, o índice de fa- lhas dos 220 aerogeradores era em torno de 11%. Com a adoção da gestão de ativos, as falhas caíram para 3% no período de um ano. Ali foram identificados 14 componen- tes das turbinas que representavam 49% das correções, por desgaste ou proximidade do fim da vida útil. Como parte da solução, baterias foram substituídas e manutenções preventivas foram agendadas. Além de obter a certificação PAS 55, a empresa também investiu na obtenção da norma ISO 55001, da Organização Internacional para Pa- dronização, colocada em operação a partir de 2015. A adoção dos dois sistemas permitiu a modernização de 85% do parque gerador e permi- tiu ainda aumentar a capacitação da força de trabalho no nível operacio- nal. Os colaboradores da empresa foram treinados para trabalhar com novas tecnologias, como drones e sistemas de gestão e automação. ESTÍMULO Incentivar as empresas de ener- gia a adotar sistemas de gestão de ativos tem sido parte da agenda do Instituto Brasileiro do Cobre (Pro- cobre) desde 2011. A entidade or- ganiza principal evento sobre o te- ma, já na quinta edição, e fundou uma comissão especial de estudos sobre o tema na Associação Brasi- leira de Normas Técnicas (ABNT). O principal motivador é o equilí- brio entre custo, desempenho e ris- co que esses sistemas proporcio- nam às empresas de geração. Foi justamente esse equilíbrio que levou Furnas a investir em sis- temas de gestão de ativos desde 2013, um processo que vem sendo aprimorado continuamente, tanto nas operações de geração de ener- gia quanto na transmissão. Há seis anos, Furnas formou uma gerência específica na hierarquia de enge- nharia de manutenção para desen- volver estudos e planos de ação re- ferentes à gestão e monitoramento, com o objetivo de maximizar a vida útil dos ativos, o retorno da recei- ta de determinados investimentos, a segurança dos colaboradores e do sistema. Em 2017, o tema passou a ser vinculado ao planejamento es- tratégico da companhia, com pro- cessos envolvendo as áreas de enge- nharia de projetos, contábil, opera- ção e manutenção. Responsável por cerca de 40% do provimento de energia do país, prin- cipalmente na região Sudeste, a estatal utiliza como indicador para seu par- que gerador - composto por 21 hidre- létricas, duas termelétricas e três par- ques eólicos - a disponibilidade das usinas, que, em 2018, registraram ní- vel médio de 94,52%. Em transmis- são, essa disponibilidade apresenta- ram resultados acima de 99%. “Muitas ações de gestão são to- madas para que esse índice, que re- presenta um valor de excelência quando comparados a outros sis- temas, se mantenha neste patamar mesmo em condições adversas”, explica Leandro Lima, gerente de Gestão e Monitoramento de Ativos de Furnas, ressaltando os ganhos financeiros e operacionais que esse tipo de ação oferece à empresa. Em um processo de revisão ta- rifária, conta ele, a demonstração correta dos custos dos ativos con- tribuir para minimizar a chance de glosa por parte do regulador. Em ca- sos operacionais, o monitoramento de uma unidade geradora previne eventuais falhas, evitando também custos elevados com manutenção. A CPFL Geração é outra com- panhia que iniciou um processo de organização da gestão de seus ati- vos por volta de 2013 e já colhe fru- tos. Embora suas usinas concen- trem ativos novos, a maioria entre 10 e 20 anos de operação, a empre- sa verificou a necessidade de revi- sar seus processos de manutenção. “Somos um setor regulado e pre- cisamos manter as usinas com boa disponibilidade para gerar energia”, conta Francisco João Di Mase Gal- vão Júnior, coordenador de Manu- tenção da Geração da CPFL. Uma das medidas foi buscar empresas de tecnologia que pudessem desen- volver um software específico pa- ra gestão das usinas, em conjunto com as equipes da empresa. Desde que os sistemas começa- ram a ser implantados, entre 2013 e 2014, o primeiro benefício foi a maior assertividade na execução das manutenções, que reduziu a taxa de falhas. O tempo em que as turbinas ficavam paradas por motivos de ma- nutenção caiu de 18 dias/ano para 10 dias/ano por unidade geradora, em média. A interação entre senso- res e software permite o controle à

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