Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
16 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 circuito Painéis termovoltaicos Um estudo realizado por pesquisadores da Universida- de de Stanford, nos Estados Unidos, e da Fujifilm, no Japão, pode acabar com a restrição de geração de energia por pai- néis fotovoltaicos. Isto porque o grupo descobriu um meio para que as células sejam termovoltaicos durante a noite, permitindo que os painéis gerem eletricidade continuamen- te, dia e noite. As pesquisas demonstraram que isso é pos- sível ao virar um diodo (componente eletrônico que permite a corrente elétrica fluir em apenas um sentido) diretamente para o frio do espaço, o que permitiu encontrar uma diferen- ça de temperatura grande o suficiente para gerar energia. A capacidade de geração de energia ainda é minúscula, de 64 nanowatts por metro quadrado, mas suficiente para justifi- car mais pesquisas na área. Mais perto da realidade Cientistas chineses construíram um reator de fusão nuclear capaz de atingir 100 milhões de graus Celsius. Esta é a primeira vez que um rea- tor alcança a temperatura e é um marco na jor- nada da fusão nuclear, vista como uma fonte de geração de energia limpa e virtualmente ilimita- da. O Instituto de Física de Plasma da China es- tá construindo um protótipo no sul da França e a ideia é que o primeiro teste de plasma supera- quecido ocorra até 2025 e a geração da primei- ra fusão de potência total até 2035. O custo no projeto está estimado em US$ 25 bilhões e tem o apoio da União Europeia, Índia, Japão, China, Rússia, Coreia do Sul e Estados Unidos. Embora o projeto chinês seja o maior e o mais caro, outras pesquisas na área estão sen- do desenvolvidas também. No ano passado, um fundo privado britânico anunciou que seu projeto de plasma havia alcançado 15 milhões de graus Celsius pela primeira vez. Outro, uma parceria entre o MIT e a start-up Commonweal- th Fusion Systems, projeta um reator de fusão capaz de produzir mais energia do que conso- me. Já o governo canadense anunciou investi- mento de US$ 37,5 milhões em uma compa- nhia cujo foco é a fusão alvo magnetizada. Guia hidrelétrico A Associação Internacional Hi- drelétrica (IHA, na sigla em inglês) lançou um guia técnico para au- xiliar a indústria hidrelétrica a se tornar mais resiliente aos impac- tos da mudança climática. O do- cumento tem por objetivo fornecer subsídios para o desenvolvimen- to de novas plantas e ampliação e operação de sistemas hidrelé- tricos, ao utilizar metodologia ino- vadora que permite a avaliação de riscos climáticos e seus impactos nos sistemas hidrelétricos. O guia é financiado pelo Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvol- vimento, pelo Banco Mundial e pelo Fundo Fiduciário do Cresci- mento Verde da Coreia. Novas metas Os países membros da Organização Marítima Internacional (OMI) concordaram em estabelecer novas metas de eficiência energética para navios de contêiner e de cruzeiro a fim de engajar o setor naval na conservação da vida marinha e no combate à mudança do cli- ma. Uma das medidas de curto prazo seria a redução de velocidade nas embarcações para redução de emissões de gases de efeito es- tufa, mas as discussões avançam devagar. Por enquanto, as metas de eficiência energética estão mantidas para novos navios em sete tipos de embarcações, grupo que representa 30% dos navios e 40% das emissões de carbono, ou 750 milhões de toneladas de CO 2 en- tre 2022 e 2050. Meta tímida Organizações não governamentais apontam que o ritmo de redu- ção de emissões estabelecido pela OMI ainda é tímido, se compara- do com o que algumas embarcações mais novas ou em construção podem fazer. Para essas instituições, a OMI não estaria preparada para adotar regras que incentivem a inovação tecnológica, preferin- do apenas acompanhar o que o mercado já faz sem regulamentação.
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