Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

54 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 GÁS para reduzir a conta da infraestrutu- ra e permitir que o mercado brasileiro se amplie além do cenário de referên- cia projetado até 2027. De acordo com aEPE,aoferta líquidadevepassar de65 milhões de m³/d para 111 milhões de m³/d nos próximos oito anos. Além disso, a redução do cus- to de infraestrutura aumentaria as chances de integrar sistemas ho- je isolados, como os da Bacia do Parnaíba (MA) e de Coari-Urucu (AM), com as redes de gasodutos, ampliando a oferta no mercado. Segundo a EPE, a oferta nesses sis- temas deve saltar de 4 milhões m³/d para 9 milhões de m³/d até 2027. Tudo isso ajudaria o mercado a chegar a um ponto de equilíbrio, es- sencial para que a demanda absorva o crescimento da produção. “O preço tem de ser atraente para a indústria e para a geração de energia, ao mesmo tempo em que justifica o investimen- to dos produtores em infraestrutura”, observa o superintendente. Parte significativa do crescimento da oferta virá do pré-sal, na forma de gás associado, mas uma série de vari- áveis deve influir na competitividade do produto. Um estudo da EPE sobre o custo do gás natural da província aponta uma variação de US$ 1,60/ milhão de BTU a US$ 16/milhão de BTU, em função de fatores como dis- tância da costa, teor de CO 2 , volumes de produção e do valor dos investi- mentos intrínsecos às operações de E&P, assim como os estágios de tra- tamento e escoamento do produto. Há ainda desafios a vencer, co- mo o tratamento do gás e a neces- sidade de construção de gasodutos submarinos extensos. Por isso, sa- em na frente os campos que estive- rem mais próximos da costa e que ofereçam um produto mais puro. O aumento da oferta não virá, contudo, apenas do mercado inter- no. A importação de gás natural con- tinuará a desempenhar papel impor- tante nos próximos anos, com a Bo- lívia se mantendo como o principal fornecedor externo. A EPE prevê, no entanto, queda da participação boli- viana nos próximos anos, de 30 mi- lhões para 20 milhões de m³/d. Hoje, na avaliação da empresa, a YPFB não tem reservas para manter a oferta de 30 milhões a partir de 2021.

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