Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 65 DISCUSSÃO ABERTA SOBRE A INDÚSTRIA Em meio a mudanças no mercado, contínua queda de preços e lançamentos de novas máquinas, conteúdo local e exportação de aerogeradores entram em pauta LÍVIA NEVES E nquanto fabricantes de ae- rogeradores dobram suas apostas para o competiti- vo mercado eólico brasilei- ro, uma discussão mais aberta so- bre mudanças na política de nacio- nalização do BNDES toma forma, com distintos interesses em jogo. A expectativa é que, entre o final de 2020 e início de 2021, as montado- ras forneçam no Brasil os primei- ros aerogeradores com mais de 5 MW com conteúdo local. O aumento das máquinas é uma resposta para os preços em queda dos projetos negociados mais re- centemente, mas também é aposta. Uma que precisa de crescimento da demanda para se pagar e de ganho de competitividade em outros mer- cados, já que exigirá investimentos em expansão de fábricas e aquisi- ção de novos maquinários. Enquanto a Abimaq, por exem- plo, prepara uma contribuição ao BNDES sugerindo a inclusão de itens que a indústria local tem ca- pacidade para produzir e a retirada de itens opcionais que nunca che- garam a ser nacionalizados; a fabri- cante Vestas fala de uma reformu- lação na política de conteúdo lo- cal, que facilitaria a importação de itens menos competitivos no Bra- sil, mediante a exportação de ou- tros componentes. EXPORTAÇÃO... O banco tem recebido represen- tantes da indústria para discutir o tema. No final de maio, o presiden- te do BNDES, Joaquim Levy, afir- mou que a indústria eólica deve- ria tornar-se exportadora para re- tribuir o apoio recebido do banco através das políticas de conteúdo local. “Particularmente neste setor, [a nacionalização] não é um obs- táculo ao custo dos projetos e da energia. Temos que verificar se in- dústria está suficientemente robus- ta para ser competitiva lá fora”, co- mentou Levy. Entre 2016 e 2017, quando a demanda já arrefecia com a queda nas contratações anuais, a fábrica da Siemens Gamesa chegou a ex- portar os hubs, lembra o diretor da companhia no Brasil, Roberto Pri- da. “Exportamos no passado hubs e nossos fornecedores brasileiros exportaram pás e, por enquanto, foi isso. Acho que, trabalhando um pouco a cadeia, o Brasil teria po- tencial de fornecer para o mercado da América do Sul. As pás são algo que todos estão exportando”, conta. De fato, a fabricante de pás bra- sileira Aeris tem mais da metade de sua produção voltada para o merca- do externo, especialmente os Estados Unidos, mercado que tem uma rota logística competitiva para a fábrica da companhia no Ceará. Os produ- tos exportados pela companhia, po-

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=