Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 67 este segundo leilão e a Abimaq plei- teia junto ao Ministério de Minas e Energia que a barreira para impor- tados suba no próximo edital. ...IMPORTAÇÃO DE AEROGERADORES É REALIDADE Apesar disso, o reposicionamen- to do BNDES nos últimos anos, com a introdução da TLP – mais próxima dos juros praticados pelo mercado – e a oferta de crédito ex- terno para projetos renováveis, aces- sível a grandes players que atuam no Brasil criam o cenário para impor- tações de aerogeradores para novos projetos no Brasil. A avaliação é que os contratos no mercado livre tam- bém poderiam favorecer esse cená- rio, já que os termos negociados po- dem incluir, por exemplo, precifica- ção indexada ao dólar. Neste contex- to, o Brasil fará uma das primeiras importações em grande volume de aerogeradores, já no próximo ano. Quatro fontes citaram, em conver- sas com a Brasil Energia , a opera- ção que a Enel realizará com a Nor- dex para equipar um complexo eóli- co no Piauí de quase 600 MW. “A Enel Green Power Brasil es- clarece que busca a competitivida- de na geração de energia em todos os seus projetos, por meio de um equilíbrio entre a produção local e a importação de componentes. A decisão sobre a importação de al- guns componentes para os parques eólicos envolve também os forne- cedores desses equipamentos, de forma a garantir a disponibilidade e atender ao cronograma de cons- trução das plantas. Atualmente, o fornecedor das torres das turbinas do projeto eólico da EGP, em cons- trução no Piauí, está aumentando a capacidade de uma fábrica local para atender à demanda da compa- nhia”, disse a empresa por meio de sua assessoria de imprensa. A nacele e o hub serão impor- tados da fábrica da Nordex na Es- panha. As torres serão produzidas na fábrica local da companhia no Piauí e as pás serão entregues pe- la Aeris – mas com insumos im- portados, da linha de produção da companhia voltada para exporta- ção. A Enel, portanto, não contará com a linha Finame do BNDES pa- ra construir o parque. “É interessante que agora que o BNDES está subindo as taxas, há projetos que estão financian- do com investimentos privados de outros países e podem importar as máquinas. Já está começando a acontecer. Com outra estrutura de financiamento, por que não? Se es- tou trazendo project finance do ex- terior”, resume o CEO do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), Ben Backwell. A Enel é uma empresa com atu- ação global e tem condições de bancar os próprios projetos. Mas a oferta de financiamento de fora não é exclusividade da companhia. “Há cinco anos, na indústria se di- zia, ‘temos que convencer os ban- cos, os fundos de pensão’. Agora, a eólica já é considerada um asset class bem conhecido, não é um ne- gócio considerado arriscado. O que tem no mundo todo é falta de pro- jetos”, comenta Backwell. CONTEXTO No último leilão para o merca- do regulado, o A-6 de 2018, as eó- licas foram contratadas a R$ 90/ MWh, de um teto de R$ 227/MWh, chegando ao patamar mais baixo do histórico. Para o próximo leilão A-4 (que ocorre no dia 27/6), o teto é R$ 208/MWh, com grande com- petitividade para um leilão que não deve ter alta contratação - nos últi- mos dois anos, a fonte vendeu vo- lume maior de energia no A-6. A pressão por competitividade au- menta com a queda de custos e es- se é um cenário que afeta fabrican- tes globalmente, avalia Beckwell, do GWEC. Além disso, a maior parte das empresas ganhadoras dos úl- timos leilões são controladas por companhias globais, de capital ex- terno. Mas preços em queda são uma constante no mercado eólico brasi- leiro. A novidade é que os projetos da fonte estão guardando uma par- cela cada vez maior de garantia fí- sica descontratada, com a possibili- dade de venda complementar para o mercado livre. Em 2018, projetos negociados nos leilões venderam, em média, 60% de sua garantia fí- sica, contra 92% do histórico. Isso sem falar nos parques exclusivos, que não têm contratos no regula- do. A fiscalização da Aneel identi- fica que há 1.816 MW de projetos com outorgas de construção fora do mercado regulado, com parti- cipação de empresas como Enel, Queiroz Galvão e Neoenergia. No ano passado, quase dois ter- ços da energia eólica contratada foi para o mercado livre, estima a Abe- eólica e a expectativa é que a pro- porção se repita neste ano. Há uma série de desafios que devem ser en- frentados antes que a indústria bra- sileira se torne exportadora. A dis- cussão sobre a política de naciona- lização, apesar de ter agentes com interesses diversos, pode ser um ca- minho para resolver algumas des- sas questões. n

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