Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 77 Wagner Granja Victer Wagner Granja Victer é engenheiro (UFRJ) da Petrobras, bacharel em Administração (UERJ), pós graduado em Finanças (FGV) e Especialização em Gerência de Projetos pela Harvard University. O VOLUNTARIADO E A INDÚSTRIA DE PETRÓLEO Meses atrás, um jovem country manager de uma empresa do setor de petróleo, que tive a oportunida- de de acompanhar desde menino, me ligou para saber minha opinião sobre ele participar de um programa de voluntariado. A iniciativa seria realizada em escolas da rede pública que eu, como secretário de Educação, havia implantado em parceria com o IBP e o Junior Achievement, que é uma organização internacional. Como resposta, o incentivei fortemente a participar e ainda recomendei que ele, como liderança maior na organização que acabava de assumir, desse a visibilida- de à ação como exemplo para os funcionários. Posteriormente, o mesmo executivo me ligou rela- tando o quanto aquela ação havia colaborado para o seu entendimento de seu papel como profissional, per- mitindo estabelecer o sentimento de que está contri- buindo para a sociedade e não cair no senso comum de esperar somente o Estado agir. Segundo definição conceitual das Nações Unidas, “Voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu in- teresse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social ou outros campos”. No cenário mundial, entre os movimentos e inicia- tivas de destaque estão o Greenpeace, a Anistia Interna- cional, a ONU e o WWF. Até mesmo entidades técni- cas internacionais voltadas a sistemas de conhecimen- to disponibilizam programas de voluntariado, como o Project Management Institute (PMI). No Brasil, estima-se que as primeiras iniciativas vo- luntárias registradas surgiram com a fundação da San- ta Casa de Misericórdia, na vila de Santos, em 1543. A Cruz Vermelha, por sua vez, só chegou ao país em 1908, sendo que o escotismo foi trazido para o Brasil em 1910, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1942, Getú- lio Vargas cria, no ambiente federal, a Legião Brasileira da Assistência (LBA). A partir dos anos 1950, surgem as primeiras Associações de Pais e Amigos dos Excep- cionais (APAEs), que, junto às Fundações Pestalozzi, se configuram em um imenso movimento social de cará- ter filantrópico brasileiro. As práticas de voluntariado têm crescido significati- vamente e já são incentivadas na formação educacional regular por instituições de ensino privadas e públicas desde o ensino fundamental. Nas organizações empresariais de ponta, cada vez mais as áreas de Recursos Humanos (RH) reconhecem funcionários que desenvolvem espontaneamente tais práticas e, em alguns casos, já as consideram um ele- mento decisivo para contratação de seus novos talen- tos e executivos. Certamente o potencial de crescimento na indústria de petróleo é elevadíssimo, porém as ações ainda são incipientes diante da capacidade de alavancagem des- se segmento, em especial como mitigadores de imagem negativa de grande impacto que a atividade proporcio- na em termos ambientais. Nesse cenário, a orientação individual do planeja- mento de carreira dos profissionais da indústria de pe- tróleo deve considerar a prática do voluntariado, ao passo que as áreas corporativas de RH têm de criar me- canismos que distingam tais ações como elemento im- portante da cultura organizacional.

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=