Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
78 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 DISTRIBUIÇÃO O enterramento de redes elé- tricas ainda representa uma participação ínfima na re- de de distribuição total do Brasil, mas a discussão em torno de sua aplicabilidade e benefícios para a sociedade começa a ganhar cor- po, principalmente no Congresso Nacional. Recentemente, a Comis- são de Cultura da Câmara dos De- putados aprovou proposta em que torna obrigatória a utilização de re- des subterrâneas de distribuição de energia elétrica em conjuntos urba- nos tombados ou que tenham va- lor histórico e cultural reconhecido pelo Instituto do Patrimônio His- tórico e Artístico Nacional (Iphan). Atualmente, o Brasil conta apenas com 2% da fiação elétrica enterrada, percentual muito pequeno na com- paração coma Europa, quando amé- dia está em torno de 60%. O enterra- mento dos cabos de energia traz be- nefícios, como a melhora estética das cidades e a maior confiabilidade da rede, por apresentar menos falhas; e evitar o roubo de energia e de equi- pamentos, além de evitar blecautes e manutenção excessiva. As distribuidoras reconhecem as vantagens desse tipo de solução, mas a complexidade e o alto cus- to envolvido para implantar redes subterrâneas inibem ações mais agressivas das companhias nesta di- reção. “A construção desse tipo de rede demanda de 10 a 20 vezes mais investimento que as redes aéreas”, estima Rogério Correa, gerente de projetos, autorizações e serviços emmédia tensão da Enel São Paulo. No caso do projeto de lei, caso se- ja aprovado nas outras duas comis- sões que ainda precisa passar - De- senvolvimento Urbano e de Consti- tuição e Justiça e de Cidadania -, não haverá custo adicional direto para as distribuidoras e consumidores. Isto porque o texto conta com um subs- titutivo que institui o Fundo para Obras do Setor Elétrico para Preser- vação do Patrimônio Histórico, se- gundo explica a Associação Brasilei- ra de Distribuidores de Energia Elé- trica (Abradee). Os recursos do fundo serão pro- venientes de recursos orçamentários, tanto federal, estadual quanto muni- cipal; de rendimentos de operações financeiras que realizar; e de doações. De fato, o investimento na subs- tituição de um pequeno trecho de via é elevado se comparado à im- plantação de uma rede aérea. A Enel São Paulo, por exemplo, possui, em andamento, três projetos de enterra- mento de redes, acordados na gestão REDES: AÉREAS OU ENTERRADAS? Com alto custo e complexidade de implantação, redes subterrâneas têm pouca penetração no sistema de distribuição brasileiro THAIS CUSTODIO
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