Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 79 do prefeito João Dória. A previsão é enterrar 65,4 km ao investimento estimado de R$ 51,5 milhões. Dois já foram concluídos e aguardam a remoção das fiações de telecomuni- cação e de iluminação pública para retirada dos postes. O terceiro pro- jeto está em andamento e consiste na implantação de rede subterrânea em 9 km no entorno do Mercado Municipal da Cantareira, o que im- plicará na remoção de postes em 40 vias. A obra, cuja conclusão está pre- vista para este ano, deve receber R$ 30 milhões em investimento. Apesar do alto custo, o gerente reconhece que, ao substituir as re- des aéreas por subterrâneas, há ga- nhos operacionais e de confiabili- dade do sistema. “A rede fica menos exposta à interferência e de ocor- rências, como quedas de árvores, colisões de veículos e vandalismos, o que contribui para aprimorar a continuidade e qualidade dos ser- viços prestados”, observa Correa. Ao todo, a distribuidora paulis- tana possui 7% de sua rede elétrica enterrada, o que corresponde a cer- ca de 3 mil km, predominantemen- te no Centro de São Paulo. A CPFL Energia é outra distri- buidora que vem acompanhando as discussões em torno das redes sub- terrâneas e vem se preparando para um eventual crescimento deste mer- cado. A empresa já desenvolveu dois projetos de enterramento de redes em Campinas e Santos, totalizando 2,9 km de cabos enterrados e inves- timentos de R$ 17,3 milhões. Entre- tanto, ao contrário do que ocorreu com a Enel São Paulo, cujos projetos foram feitos a pedido da prefeitura de São Paulo, no caso da CPFL Ener- gia, a demanda por enterramento da rede elétrica veio de construtoras, pa- ra condomínios residenciais. André Luiz Maschetto, gerente de Engenharia de Distribuição da com- panhia, explica que os projetos de re- des subterrâneas acabam tendo mais demanda em áreas que ainda não fo- ram ocupadas pela população, o que permite um melhor gerenciamento do uso do subsolo. Nos locais onde já existem redes aéreas, diz ele, fazer a substituição é mais difícil, pois envol- ve outros agentes além das concessio- nárias de energia elétrica, como em- presas de telecomunicação, que com- partilhamos postes; empresas de água e de esgoto das cidades; distribuido- ras de gás encanado, moradores e co- merciantes das ruas onde ocorrerão as obras e as prefeituras, entre outros. “Os riscos para implantação das redes subterrâneas e o alto custo envolvido dificultam o equaciona- mento de uma solução adequada para remunerar o investimento re- alizado pelas empresas sem onerar demais o consumidor”, explica. É fato que enterrar os cabos exi- ge um investimento maior do que exige a rede aérea. Não só com a implantação ou substituição das redes, mas também porque a con- cessionária precisa realizar manu- tenções preventivas periódicas nes- se tipo de rede, para conservar os componentes dos cabos. Entretan- to, a relação custo benefício ao lon- go do tempo compensa esse inves- timento, observa Daniel Bento, di- retor executivo da Baur do Brasil, A obra de rede subterrânea de 1,4 mil metros na Avenina Francisco Glicério, em Campinas, foi concluída em junho de 2016
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