Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
84 Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 HIDRO O arrefecimento da sua princi- pal atividade econômica preocupa o município baiano de Paulo Afon- so, de 120 mil habitantes, hoje em busca de novas vocações. No final da década de 1970, a região Nordeste podia ser integral- mente abastecida por Paulo Afon- so. Em 1999, de acordo com o ONS, a carga média do Nordeste era de 5.663 MW, menor do que a capa- cidade instalada de Paulo Afonso somada à vizinha hidrelétrica Luiz Gonzaga (Itaparica), que era de 5.759,2 MW. Com Sobradinho, a montante, e Xingó, a jusante, a capacidade ins- talada das usinas no rio São Fran- cisco, na área que tem o epicentro na cidade Paulo Afonso, concen- tra turbinas capazes de gerar a ple- na carga 9.971,5 MW. O problema é que não há água no São Francisco para girar todas essas turbinas, na hipótese de elas estarem prontas a operar simultaneamente. O somatório da seca severa que atingiu a bacia do São Francisco a partir de 2012 - que ainda persiste em escala menor -, a demanda por outros usos da água do rio e a cres- cente opção por fontes alternativas e até mais limpas que a hídrica do ponto de vista ambiental, especial- mente a eólica, mudou radicalmen- te o mapa da produção energética nordestina. No mesmo dia 3/6, a ge- ração eólica foi de 5.790 MW, mais de 55% da carga total. Já a geração hidrelétrica do Nordeste no mesmo dia foi de apenas 2.410 MW, já com- putados 141,13 MW gerados pe- la usina Presidente Castelo Branco (Boa Esperança), no Piauí. De acordo com dados da Chesf, o pico de produção do Comple- xo Paulo Afonso foi em 2007, com 20.006.903 MWh. O diretor de Operações da Chesf, João Hen- rique Franklin, justifica a queda brusca na produção em função da hidrologia desfavorável da bacia do rio São Francisco a partir de 2013. “Desde 2013, a bacia do rio vem apresentando um quadro hidroló- gico bastante desfavorável, que tor- nou necessária a flexibilização, em caráter temporário, da vazão míni- ma de restrição a ser praticada pe- los reservatórios de Sobradinho e Xingó”, explica. Essa situação na redução grada- tiva da vazão de restrição mínima de 1.300 m³/s até chegar a 550 m³/s, ocasionando diminuição na gera- ção de energia elétrica fornecida pe- las usinas operadas pela Chesf. Além disso, optou-se por manter fluindo o rio apenas onde se localiza a usina Paulo Afonso IV por apresentar me- lhor rendimento em relação às de- mais usinas do complexo. Ou seja, utiliza menos água para gerar a mes- ma quantidade de energia elétrica. PAPEL SECUNDÁRIO Em termos de custos e de remu- neração, em 2018, as quatro usinas que estão paradas tiveram custo de manutenção total de R$ 12 milhões. Este valor, no entanto, não representa prejuízo para a Chesf, uma vez que, desde 2013, com a Lei nº 12.783, as usinas estão no regime de cotas esta- belecido para as hidrelétricas que an- teciparam a renovação de suas con- cessões. Com isso, recebem uma re- muneração fixa mensal, gerando ou não, desde que estejam disponíveis para atender às necessidades do Sis- tema Interligado Nacional (SIN). Na prática, o complexo Paulo Afonso, com exceção da usina IV, já opera como fazem as termelétri- cas, ligadas apenas quando requi- sitadas. A diferença é que nas hi- drelétricas nordestinas, dependen- do do momento, pode não haver combustível (água) para acioná-las. Embora tenha como prioridade atender outras demandas mais es- senciais, como o abastecimento hu- mano e animal, a política adotada pela ANA, em comum acordo com outros órgãos e entidades interve- nientes, busca o enchimento dos reservatórios de Três Marias (MG) e Sobradinho (BA) a fim de contri- buir também para viabilizar o acio- namento das usinas de Paulo Afon- so quando houver necessidade. COMPLEXO PAULO AFONSO TEM CAPACIDADE DE MAIS DE 4 MIL MW Usina Início de Operação Capacidade Paulo Afonso I 1955 180 Paulo Afonso II 1961 443 Paulo Afonso III 1971 794 Paulo Afonso IV 1979 2.462 Apolônio Sales 1975 400 Fonte: Chesf OUTRAS USINAS DA CHESF NO SÃO FRANCISCO E SUAS CAPACIDADES Usina Início de Operação Capacidade Luiz Gonzaga (Itaparica) 1988 1.479 Sobradinho 1979 1.050 Xingó 1994 3.162 Fonte: Chesf
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