Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019
Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 85 O diretor geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, entende que o fu- turo das usinas hidrelétricas do São Francisco é inverter o papel com as térmicas, hoje moduladoras de um sistema que tem na base as hidrelé- tricas. Embora as hídricas continua- rão por muito tempo atuando como base, uma vez que ainda representam mais de 60% da capacidade de gera- ção total do país, o executivo acredi- ta que, no Nordeste, o cenário pode mudar à medida que o gás do pré-sal assegure combustível para as térmi- cas.A tendência, diz ele, é que o papel de modulação para a intermitência das eólicas fique com as hidrelétricas. Barata prevê que essa reversão come- ce a ocorrer entre 2023 e 2024, quan- do vencem as concessões das térmi- cas a óleo, mais poluentes. Essa avaliação do diretor do ONS é consensual. José Henrique Franklin, da Chesf, acredita que as usinas operadas pela companhia no rio São Francisco podem ser solução viável para esse sistema de back-up. “[A Chesf] não vislumbra o desmonte das usinas do Complexo de Paulo Afonso. No entanto, com a crescente expansão da geração eólica e solar na matriz energética da região Nordeste, se faz necessá- ria a implementação de um siste- ma de geração firme de back-up e de equipamentos que possam fazer a regulação do sistema elétrico e as hidrelétricas operadas pela empre- sa podem ser essa solução”, observa. O desafio, entretanto, é definir uma base regulatória para a remu- neração pela prestação deste tipo de serviço pelos agentes de geração, diz o executivo. Para José Almir Cirilo, profes- sor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-secretá- rio de Recursos Hídricos e Energé- ticos de Pernambuco, hoje, o país já dispõe de novas formas de ge- ração de energia, como a eólica e a solar, mas não é possível criar so- luções para “gerar água”, o que co- loca a energia produzida pelas hi- drelétricas do São Francisco como recurso de reserva. “Há 20 anos era impensável dispensar o São Francisco da ge- ração de energia. Com a revolu- ção eólica, mesmo não sendo uma energia firme, é possível guardar a hidráulica”, avalia. Há ainda o papel da energia solar no futuro da matriz elétrica nordes- tina, segundo Cirilo. “Alguns ainda pensam que é caro, mas começou custando R$ 270/MWh e agora está um pouco acima de R$ 100/MWh.” No último dia 22, por exemplo, a geração solar no Nordeste foi de 252 MW, um pouco menos do que a capacidade nominal de hidrelétri- ca de Boa Esperança (272 MW). n 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1.168 579 602 1.105 1.275 1.313 162 999 139 293 1.366 216 403 1.400 233 95 47 1.423 31 359 813 171 104 1.458 1.460 41 333 24 105 0 0 0 0 0 0 182 1.471 111 50 319 59 0 0 0 0 0 0 60 0 Geração anual de energia - usinas do Complexo Paulo Afonso 2005 a 2018 - média emMW A partir de 2015 somente a PA IV mantém geração regular. O ONS divulga apenas o número referente ao Complexo Paulo Afonso, o que, na prática, representa a produção da usina PA IV . Fonte: ONS Apolônio Sales (Moxotó) Paulo Afonso I Paulo Afonso II Paulo Afonso III Paulo Afonso IV Eólica Hidrelétrica Importação (Reg. Norte) Termelétrica Solar 2.026 4.238 2.503 1.883 252 Geração por fonte (emMW) Fonte: ONS GERAÇÃO ANUAL DE ENERGIA - USINAS DO COMPLEXO PAULO AFONSO 2005 a 2018 - média em MW Geração de energia por fonte no Nordeste
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