Brasil Energia | Ed. 457 - Julho, 2019

Brasil Energia , nº 457, 1 de julho de 2019 87 cuperando em energia o mesmo volume de lixo produzido no Bra- sil”, diz Tisi. No mundo, há 1.800 usinas em operação, sendo 572 na Europa. No Brasil, ainda nenhuma. Mas se ainda não há aproveita- mento do potencial energético do volume de 78 milhões de t/ano ge- rados no país – que para a Associa- ção Brasileira de Empresas de Lim- peza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) seria suficiente para ge- rar 14.500 GWh/ano –, alguns si- nais positivos podem ser notados. Para começar, a longa novela en- volvendo o primeiro projeto do país de usina a combustão, a URE Barueri, que sofre atrasos pelo me- nos desde 2015, quando recebeu a licença de instalação do órgão am- biental paulista, a Cetesb, parece fi- nalmente estar perto de uma solu- ção para sair do papel. Com problemas de financia- mento para a obra, estimada em US$ 200 milhões, a Foxx-Haztec, responsável pelo empreendimen- to, conseguiu se associar, no fim do ano passado, com grande grupo chinês, o Jianjiang Environmental, o que parece ter reavivado o pro- jeto. Em anúncio oficial, a empre- sa explica que a usina, com capaci- dade para tratar 825 t/dia de lixo da região de Barueri e gerar 17 MW de energia, vai começar a ser constru- ída no segundo semestre, com pre- visão de término da obra em 2021. Há também outro novo projeto de usina com incinerador da Ciclus Ambiental, concessionária da pre- feitura do Rio de Janeiro respon- sável pelo transporte, tratamen- to e destinação final dos resíduos da cidade. Há cerca de um mês, a empresa obteve a licença prévia de construção de uma usina de gera- ção de 31 MW, com capacidade pa- ra tratar 1,3 mil toneladas por dia, o que reduziria em 14% o volume transportado diariamente para a CTR Rio, em Seropédica. Pelo projeto, a usina seria insta- lada na área da estação de transfe- rência de resíduos do Caju, na zona norte do Rio, atualmente responsá- vel pelo recebimento de 40% do lixo do município. Segundo a empresa, a intenção é trabalhar com níveis eu- ropeus de emissão. Para a presidente da Ciclus, Adrina Felipetto, a usina será a primeira de muitas tecnolo- gias que serão implantadas nos pró- ximos anos na capital. “O Rio avan- ça no entendimento do resíduo co- mo um ativo”, diz. Com custo estimado de R$ 500 milhões, porém, a empresa pretende buscar financiamento em bancos de fomento, como o Banco Mundial, Caixa Econômica Federal e BNDES. A estimativa é obter a licença de ins- talação com o governo estadual, que autoriza o início das obras, em cerca de três meses. O planejamento é ter a usina em operação em três anos. Ocorre, porém, que a prefeitura do Rio, atualmente, deve R$ 42 milhões à Ciclus, o que, segundo a empresa, pode comprometer o cronograma das obras. Outro problema para via- bilizar a usina seria o fato de a ta- xa do lixo ser considerada, por espe- cialistas, muito baixa para colocar o projeto em pé. LIXÃO ZERO Além das expectativas com os primeiros projetos de usinas dedi- cadas ao tratamento térmico do li- xo com geração de energia, há ou- tros bons indicativos para o setor. O primeiro foi a publicação da por- taria interministerial MMA/MDR 274/2019, no dia 30 de abril, que disciplina a recuperação energética dos RSUs. O segunda foi o lança- mento, no mesmo dia da publica- ção da portaria, do programa Lixão Zero, do Ministério do Meio Am- biente, que tem entre seus objetivos o de potencializar o WTE. Foi considerado simbólico pe- lo mercado o fato de o lançamento do programa, pelo ministro Ricardo Salles, ter sido em Curitiba, na sede do governo estadual, onde no mes- mo dia ele visitou unidade da Voto- rantim Cimentos, em Rio Branco do Sul, na região metropolitana, que passa por fase de testes para come- çar a utilizar em seu forno de clín- quer os combustíveis derivados de resíduos urbanos (CDRs). O proje- to em parceria com a prefeitura da Alguns sinais positivos podem ser observados no setor, como o lançamento do Lixão Zero e a portaria que regulamenta a recuperação energética de RSU s

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