Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
18 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 DOWNSTREAM D esde 2015, quando – ainda na gestão de Aldemir Bendi- ne – a Petrobras acelerou seu programa de desinvestimen- tos, a estatal vendeu mais de US$ 25 bilhões em ativos de downstream. O montante representa mais de 50% do total alienado no período, que chega a quase US$ 40 bilhões. Foram, ao todo, oito operações: Gaspetro, por US$ 593 milhões; Re- finaria Nansei Sekiu, no Japão (US$ 165 milhões); Petroquímica Suape e Citepe (US$ 385 milhões); a No- va Transportadora do Sudeste (US$ 5,190 bilhões); ativos de distribuição no Paraguai (US$ 383,5 milhões); Refinaria de Pasadena (US$ 562 mi- lhões); a Transportadora Associada de Gás (US$ 8,6 bilhões); e a BR Dis- tribuidora (US$ 9,6 bilhões). Atualmente, a estatal conduz pro- cessos para vender sua participação integral em quatro refinarias (Abreu e Lima, em Pernambuco; Landulpho Alves, na Bahia; Presidente Getúlio Vargas, no Paraná; e Alberto Pasquali- ni, no Rio Grande do Sul) na Araucá- ria Nitrogenados (PR), na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), emTrês Lagoas (MS), e nas fábri- cas de fertilizantes (Fafens) da Bahia e do Sergipe. Mais adiante, outras quatro plan- tas serão vendidas, conforme previs- to pelo termo de compromisso de cessação (TCC) assinado com o Ca- de, em junho passado: Unidade de Industrialização de Xisto (PR), Ga- briel Passos (MG), Isaac Sabbá (AM) e Refinaria Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (CE). Além disso, outro TCC firmado com o órgão de defesa da concorrên- cia prevê a saída da Petrobras dos seg- mentos de transporte e distribuição de gás natural nos próximos anos. A ampla redução da pegada da Petrobras no mid e downstream – que acontece após sua saída do setor de açúcar e álcool, comvenda das usi- nas Guarani e Nova Fronteira – res- ponde à estratégia de focar seus in- vestimentos nas atividades de explo- ração e produção (E&P), sobretudo no pré-sal da Bacia de Santos. Em junho passado, o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, afirmou que a companhia planeja de- sinvestir US$ 35 bilhões em cinco anos e defendeu a venda de refinarias, a fim de focar o investimento em áreas que, segundo ele, são a vocação da estatal. “O melhor da Petrobras é a explo- ração em águas profundas e ultrapro- fundas. A Petrobras possui capital hu- manoaltamentequalificado,osmelho- res engenheiros e tecnologia.Omesmo não acontece em campos maduros de petróleo”, assinalou, durante audiência pública na Câmara dos Deputados. O movimento da estatal brasilei- ra é, aomenos por enquanto, bemdi- ferente do que fazem petroleiras pri- vadas internacionais (IOCs) e estatais (NOCs) que detêmparcelas significa- tivas de reservas de óleo e gás. Emsen- tido contrário, esses grupos se conso- lidam como empresas integradas e, em alguns casos, já caminham para se transformar em empresas de ener- REMANDO CONTRA A MARÉ? Desverticalização da Petrobras e os movimentos de grandes IOCs e NOCs POR JOÃO MONTENEGRO
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