Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019
Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 23 AMÉRICA LATINA Dona da maior reserva prova- da de petróleo do mundo, de apro- ximadamente 300 bilhões de barris, a venezuelana PDVSA afirma, em seu último plano estratégico publica- do (2016-26), que tem como objetivo posicionar-se como uma empresa lí- der em produção, refino e comercia- lização óleo pesado. Entre as ambições estão a con- solidação do gás natural como fon- te principal de abastecimento ener- gético do país e garantir que todos os planos e projetos de E&P tenham co- mo premissa transformar a Venezue- la emuma potência de refino, proces- samento de óleo cru e petroquímica. No entanto, afetada pelos efeitos da greve dos petroleiros de 2002 e os problemas econômicos do país, a PD- VSA reduziu em mais de 60% sua produção. E as perspectivas demelho- ra são rarefeitas, tendo emvista as san- ções econômicas dos EUA, que impe- dem, por exemplo, o refinanciamento da dívida da petroleira em dólar. Na Argentina, a YPF trabalha pa- ra se tornar uma companhia integra- da de energia. Em seu plano de negó- cios estão previstos novos projetos de midstream, incluindo a expansão da CompañiaMega – empresa focada no processamento de gás na qual a Petro- bras detinha participação de 34%– e a expansão de sua malha de gasodutos; de geração elétrica (3 a 4 GW novos instalados até 2023); e petroquími- ca (Nova unidades de ureia, metanol, polietileno e propileno em estudo). No México, a Pemex pretende re- cuperar a capacidade de refino do pa- ís com recursos gerados a partir de investimentos público-privados via contratos de serviço de longo pra- zo de produção de óleo. Entre as me- tas estão a reabilitação de seis refina- rias existentes e o desenvolvimento de uma nova (Dos Bocas). RISCOS DO PRÉ-SAL ParaRicardoBedregal,da IHSMa- rkit, a estratégia da Petrobras de focar em águas profundas é potencialmente arriscado, tendo emvista omovimen- to de transição energética pelo qual o mundo deve passar nas próximas dé- cadas.Alémdisso, ao contrário do que acontece com os projetos de shale nos EUA, por exemplo – onde ativa-se e desativa-se um projeto com facilida- de – um empreendimento no pré-sal é muito mais vulnerável a variações do preço do barril. “Quero crer que esse é um mo- vimento tático de curto prazo para atender às demandas da nova estra- tégia de governo, que tenta ampliar a competição no downstream, e dimi- nuir o impacto da dívida sobre o cai- xa da companhia. Enxergo uma mu- dança mais pragmática de portfólio mais para frente”, prevê o consultor. Ele cita os acordos estratégicos formalizados pela Petrobras com pe- troleiras como a Equinor, Exxon e BP como possíveis caminhos para voltar a ampliar suas atividades no exterior, por exemplo. “Há esse desejo na Petrobras, mas ainda faltam recursos para investir fora do Brasil. O excedente da cessão onerosa, por exemplo, trará enorme alocação de capex da Petrobras”, pon- dera, referindo-se ao leilão de novem- bro, no qual a estatal já exerceu direito de preferência por duas áreas que se- rão ofertas (Búzios e Itapu). DOWNSTREAM BRASILEIRO Bedregal acredita que multinacio- nais como a anglo-suíça Glencore e a holandesa Vitol, além de japonesas como a Marubeni, estão entre os po- tenciais candidatos a ampliar sua par- ticipação no downstream brasileiro, além de grandes fundos internacio- nais. “Mas, se houver indícios de que haverá controle de preços, isso poderá afastá-los”, alerta o consultor. Na quinta-feira (1/8) – após a en- trevista cedida por Bedregal à Brasil Energia –, os grupos Vitol e o Dislub Equador anunciaram o início de um processo de associação e atuação con- junta no Brasil, com objetivo de am- Petroquímica da Saudi-Aramco, na Arábia Saudita, Polo Petroquímico de Ensenada da YPF e posto Chevron na Flórida (EUA): petroleiras com atividade integrada
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