Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

24 Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 DOWNSTREAM pliar sua capacidade de investimento e suprimento de combustíveis no país. Pesquisador do Instituto Nacio- nal de Estudos Estratégicos de Petró- leo (Ineep), William Nozaki lembra que, entre os anos 2000 e 2010, gran- des petrolíferas se retiraram do mer- cado de distribuição de combustíveis no Brasil. A italiana ENI, por exem- plo, vendeu a rede de postos Agip, e as norte-americanas Chevron e Exxon retiraram, respectivamente, os postos Texaco e Esso. Na ocasião, explica, a justificativa oficial das empresas passava pela ava- liação de que omercado brasileiro era marcado por incertezas regulatórias, sonegação de impostos e adulteração de combustíveis, elementos que cria- riam distorções na concorrência. “No entanto, é importante consi- derar que, no Brasil, aAgip se concen- trou mais em estratégias para tornar o GLP competitivo do que o diesel e a gasolina, quando o grupo Ultra ad- quiriu a Shell-Gas a italiana perdeu poder de mercado. A Texaco também não resistiu ao modelo de negócios dos postos de combustíveis incre- mentados com lojas de conveniência e foi vendida para o grupo Ultra. Já a saída da Esso se deu como resulta- do da fusão entre Cosan e Shell, que criou a Raízen, e definiu que a rede de postos herdaria o nome da empresa anglo-holandesa”, observa Nozaki. Na década da alta no preço do pe- tróleo, houve, portanto, um movi- mento de concentração e centraliza- ção de mercado, com destaque para grupos nacionais. Nos últimos anos, porém, há, segundo o pesquisador, um movimento distinto se configu- rando: no Sudeste, a francesa Total comprou a rede Zema; emMinas Ge- rais, a chinesa Petrochina comprou a rede TT Work; no Sul, a holande- sa Vitol comprou a rede Rodoil; ao passo que a Glencore adquiriu a rede AleSat espalhada pelo país. Assim, no período emque o preço médio do petróleo caiu, também se viu maior integração e verticalização de empresas que atuamno setor,mas, desta vez, com destaque para grupos internacionais. “É nesse cenário que se inscre- ve a venda do controle acionário da BR Distribuidora pela Petrobras, em uma estratégia que destoa do que têm feito as grandes petrolíferas e outras empresas que têm buscado entrar nesse segmento”, assinala Nozaki. Em artigo publicado recentemen- te, Nozaki e Rodrigo Leão, também do Ineep, apontam como potenciais interessadas para ingressar nas refi- narias da Petrobras empresas como a Shell – operadora de campos petro- líferos e distribuidora de derivados no país –, a malaia Petronas –  que já está na cadeia brasileira de distribui- ção de lubrificantes  e que, em abril, comprou 50% do campo de Tartaru- ga Verde e o Módulo III de Espadarte –, a francesa Total e a chinesa CNPC, que vêm investindo em ativos locais de E&P e distribuição. "À medida que essas empresas vão percebendo que sua produção no pré-sal não será algo marginal, mas elevado no longo prazo, elas vão co- meçando a atuar de maneira integra- da no caso brasileiro", sublinha Leão. VISÃO PETROBRAS A companhia brasileira não está, é claro, alheia ao que se passa no mun- do. Em seu plano estratégico 2040, a Petrobras define como metas otimi- zar sua posição no segmento de gás natural e energia no Brasil e no exte- rior e integrar seu portifólio de refi- no, logística, comercialização e petro- química às atividades de produção de óleo e gás nacionais Se,por um lado, a estatalmantémo planode sair dos negócios de fertilizan- tes, distribuição de GLP e da produção de biodiesel e etanol, por outro, planeja atuarna áreade energia renovável,com foco emeólica e solar no Brasil. Até 2022, a Petrobras preten- de instalar a primeira eólica offsho- re do país, no polo de Guamaré, no Rio Grande do Norte. A planta piloto ampliará a capacidade de geração eó- lica da companhia, que, hoje, já con- ta com os quatro parques de Mangue Seco, localizados no mesmo estado. Também estão em andamento outras iniciativas que visam preparar a companhia “para um futuro basea- do em uma economia de baixo car- bono”, conforme descrito em seu pla- no de negócios e gestão. Um exemplo é a contratação de um novo veículo híbrido para modernizar a frota do laboratório de ensaios veiculares de seu centro de pesquisas (Cenpes). O laboratório tem capacidade pa- ra medir as emissões de poluentes, o consumo de combustível e as emis- sões de gás carbônico (CO2) de dife- rentes tipos de veículos a combustão, híbridos e elétricos. “O Cenpes acompanha a evolu- ção dos veículos híbridos desde 2001, por meio de revisão bibliográfica e realização de ensaios de emissões e consumo. Entre os benefícios dessa linha de pesquisa está o suporte téc- nico para o desenvolvimento de com- bustíveis do futuro, com potencial de reduzir emissões de poluentes e au- mentar o desempenho dos veículos”, informou a Petrobras via assessoria de imprensa. A Brasil Energia procurou a Petro- bras para comentar o assunto, mas não obteve retorno. n

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