Brasil Energia | Ed. 458 - Agosto, 2019

Brasil Energia , nº 458, 9 de agosto de 2019 25 Adilson de Oliveira Adilson de Oliveira é professor e membro do Conselho Curador da UFRJ No final do século passado, depois de 50 anos de operação em regime monopolista estatal, a reforma do mercado energético brasileiro foi deslanchada para via- bilizar a introdução da concorrência na sua dinâmica econômica. A privatização das empresas estatais – peça importante dessa reforma – foi iniciada pelo setor elé- trico. No setor de petróleo, esse processo começou a ser implementado apenas recentemente. O anúncio das privatizações elétricas, no fim da dé- cada de 90, provocou a paralisação dos investimentos na expansão da capacida- de do parque gerador. Os aportes das empresas es- tatais deixaram de ocor- rer por não fazer sentido expandir empresas que seriam privatizadas, e os privados porque a com- pra de ativos operacio- nais privatizados era uma alternativa de menor ris- co econômico para os in- vestidores. O final dessa história é bem conhecido. Como a demanda de energia elétrica seguiu crescendo, o novo milênio foi iniciado com um apagão elétrico que mer- gulhou o país em recessão. Para superá-lo, foi adotado um programa emergencial de centrais térmicas, cujos custos elevados são pagos até hoje pelos consumidores de eletricidade. O programa de privatização de refinarias da Petro- bras está criando risco similar ao do apagão elétrico. Co- mo ocorreu naquele caso, a monopolista estatal não pre- tende ampliar sua capacidade de refino, ao passo que os investimentos privados não mostram interesse na cons- trução de novas refinarias, permanecendo na expecta- tiva das privatizações da Petrobras. Dessa forma, a de- manda brasileira de derivados de petróleo até meados da próxima década terá que ser abastecida com a produção das refinarias existentes somada a cargas importadas. Como ficou claro na greve dos caminhoneiros, o calca- nhar de Aquiles do abastecimento doméstico de combustí- veis reside no diesel. Se a economia brasileira crescer 2,7% ao ano, emmédia, entre 2018 e 2022, a EPE estima que nos- so consumo de diesel atingirá 165 mil m 3 /d em 2023. Co- mo a capacidade de ofer- ta das refinarias domés- ticas naquele ano soma- rá 132 mil m 3 /d, o Brasil terá que importar 33 mil m 3 /d de diesel para aten- der à demanda de diesel naquela data. A logística existente permite impor- tar 34 mil m 3 /d de diesel (25,8%do consumo). O cenário da EPE sugere que, superada a crise atual, o país cor- re o risco de ter a reto- mada de seu crescimento econômico inviabilizada pelo desabastecimento de seu suprimento de diesel. Os pes- simistas dirão que a economia brasileira tardará a sair de sua estagnação atual. Portanto, a expansão do par- que de refino pode ser postergada. Mas o país não pode apostar no pessimismo. Não é razoável colocar o Brasil refém da ampliação emergen- cial de logística para importação de diesel na conflitu- osa geopolítica petrolífera atual. É imperiosa a imple- mentação de um programa imediato de investimento na ampliação da capacidade de refino. APAGÃO NO DIESEL? Não é razoável colocar o Brasil refém da ampliação emergencial de logística para importação de diesel na conflituosa geopolítica petrolífera atual. É imperiosa a ampliação da capacidade de refino

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